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06/03/2015

Em Valença, na Região do Médio Paraíba Fluminense, um trabalho inovador de sanidade do rebanho leiteiro com homeopatia está permitindo a pequenos criadores substituir o uso de medicamentos e produtos químicos no combate às verrugas (papilomatose) e carrapatos. Esta demanda surgiu a partir da frustração dos produtores com a ineficácia dos tratamentos convencionais, que podem causar riscos à saúde humana e ao meio ambiente. A maioria dos pecuaristas que estão adotando a homeopatia reside na microbacia Coroas e recebem apoio do Programa Rio Rural para adoção de práticas sustentáveis. Eles fornecem para a Cooperativa de Produtores de Leite de Valença, que contratou a veterinária Mônica Florião para fazer o controle leiteiro. A profissional desenvolve uma pesquisa inovadora pelo Programa de Doutorado em Ciência, Tecnologia e Inovação na Agropecuária, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Mônica está prestando assistência aos criadores há cerca de três meses. Ela explica que o tratamento é parte de uma metodologia cuidadosa de organização da produção, que inclui prevenção de doenças, controle leiteiro e bem estar animal, inclusive melhorando a qualidade da alimentação e da água. “O foco do trabalho é o equilíbrio entre o manejo e a prevenção. A administração dos medicamentos é pensada como o início de um processo de transição agroecológica”, explica. De acordo com o produtor Marcelo José da Silva, da microbacia Coroas, já no primeiro mês de tratamento começaram a aparecer os primeiros resultados. “Só com o uso desse remédio, as verrugas do gado estão caindo e os carrapatos diminuíram, conta o pecuarista, que tem seis bezerras em tratamento”. Os medicamentos são manipulados na Farmácia-Escola da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e diluídos na propriedade pelos próprios produtores. Em média, custam R$ 12 por mês, para tratamento de até 50 animais. Antes o gasto era de aproximadamente R$ 250, com remédios e carrapaticidas. O produtor José Rogério de Lima conta que o controle do carrapato com medicamento convencional não estava funcionando, até que assistiu a uma palestra sobre o uso dos homeopáticos e decidiu experimentar. “Primeiro eu diluía ivermectina a um por cento, depois passei para dois por cento e assim por diante. Cheguei a seis por cento e não resolvia mais. Hoje, com o novo tratamento, a gente já nota que o carrapato está secando em alguns animais”. De acordo com o técnico Luiz Antônio Tupinambá, da Emater-Rio, o uso de medicamentos homeopáticos está integrado com cerca de 30 outras tecnologias ligadas à qualidade da produção de leite, implantadas com apoio do Rio Rural e da cooperativa local. “A microbacia funciona hoje como uma unidade demonstrativa, que engloba controle leiteiro, análise de solo, pastoreio rotacionado, controle reprodutivo, entre outras”. Fonte: "Homeopatia combate doenças e parasitoses do gado leiteiro", disponível em: <http://www.microbacias.rj.gov.br/noticia_visualiza.jsp?p_idNoticia=773> Foto: Sérgio Siciliano

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Uma velha polêmica que busca solução? Por George Vithoulkas A discussão sobre quem tem o direito de praticar a homeopatia é antiga e difícil de resolver e esta paira sobre a homeopatia há mais de um século. Nós temos que ter uma solução? Como já fui acusado muitas vezes de que eu só apoio a educação para os médicos, me sinto obrigado a expor a minha opinião sobre este problema, a fim de evitar interpretações erradas e preconceitos que nada têm a ver com a minha posição sobre este assunto ... Na medida em que eu estou preocupado sobre o assunto, eu acredito que o problema deve ser visto a partir de três ângulos diferentes:
  1. Quem tem o direito legal de exercer a homeopatia?
  2. Cada país tem leis que ditam a legalidade de quem pode prescrever medicamentos homeopáticos e os que não podem. Portanto, se essas leis dão direito a um homeopata profissional para praticar legalmente em seu respectivo país, então eu não acho que ninguém deve interferir com as referidas regras.
  3. No caso de as leis do país não permitirem que profissionais não-médicos pratiquem a homeopatia, então, essas leis poderiam ser debatidas. O governo deve ser pressionado a mudar essa lei. Mas essa pressão para a mudança deve ser acompanhada de certos regulamentos e implementações de ensino relegados à homeopatia e regulamentados por decretos governamentais.
  4. Nos casos em que a lei não permite que os médicos pratiquem a homeopatia, é quase certo que a associação médica de que país ou Estado (como na Suécia e Carolina do Norte vs. George Guess nos EUA), então essa lei deve ser combatida com veemência.
  É claro que a lógica da Associação Médica é que "Desde que em seus estudos médicos o ensinaram certas disciplinas, você recebeu o direito e privilégio de praticar apenas as disciplinas que você aprendeu e não outra coisa que você tenha escolhido para praticar após a formatura. Se, portanto, você quer praticar outra disciplina, então você tem que abandonar o seu privilégio de praticar a medicina, se tornar uma pessoa leiga e, assim, praticar o que quiser, mas nós o suspenderemos dessa Associação Médica. " Essa lógica é totalmente inaceitável para mim e deve ser desmentida.
  1. Quem tem o direito moral de praticar a homeopatia?
Desde que a homeopatia ainda não é ensinada nas instituições oficiais ou reconhecidas, o direito moral de quem pode praticá-la é um problema sério e que no momento é deixado ao critério de cada profissional homeopata que decide praticar. Esse problema envolve mais questões do que se fosse apenas considerada um dilema legal. Quando um médico ou profissional decide aventurar-se e assumir a responsabilidade para com a saúde das pessoas, então o público tem o direito de saber qual o nível de conhecimento, que este médico ou profissional tem. O público, no presente momento, não tem nenhuma maneira de saber de antemão o que determinado indivíduo realmente sabe de homeopatia ou a medicina em geral. Esta questão foi deixada para ser decidida exclusivamente pela "consciência" de cada homeopata, que pode ser o único juiz nesta matéria. Mas a questão é: Quantos têm uma "consciência" aguda o bastante para julgarem corretamente ou para buscarem uma melhor formação antes de se sentirem realmente pronto para começarem a praticar? Conheci médicos que começaram a praticar a homeopatia logo após alguns finais de semana de instruções e treinamento. Eles ainda não tinha aprendido o básico, e eu conheci outros médicos que, após anos de treinamento, ainda se sentem incompetentes e hesitantes para realizarem uma tarefa tão sensível como o tratamento de doenças crônicas com remédios homeopáticos. Tenho conhecido médicos que afirmavam feitos ultrajantes - cura do câncer ou AIDS, etc. e exploravam pessoas inocentes e ingênuas, que estavam à procura de um salvador. É verdade que às vezes, podemos ter resultados positivos em tais condições graves, mas estes não devem ser anunciados como uma possibilidade/certeza para todos os casos. Eu conheço médicos que prescrevem uma série de remédios sobre os quais nada sabem, eles não têm ideia de quais são os sintomas desses remédios, uma vez que eles nunca estudaram a nossa Matéria Médica. E eu conheci profissionais que usaram todos os tipos de truques para prenderem seus pacientes, por exemplo, usando a radiestesia, a fim de encontrar o remédio certo, antena homeopática, homeopatia intuitiva, diferentes dispositivos eletrônicos, etc. A maioria deles prescrevem uma série de remédios na esperança de que dentro deste grupo aconteça, por acaso, de encontrar o caminho correto que irá produzir resultados curativos. Onde está o ouro? Onde estão as autoridades que farão cumprir as normas necessárias para a educação homeopática?   Esta é uma das questões mais inflamadas hoje e que buscam uma solução. Existem várias outras questões que devem ser consideradas neste assunto. Para os praticantes da Homeopatia, por exemplo, muitas vezes parecem ter melhores resultados do que médicos mal treinados, mas ao mesmo tempo, alguns outros profissionais, com formação escassa tanto em conhecimento homeopático e alopático e uma compreensão errônea e perigosa de toda a questão do tratamento de casos, são jogados no mercado, sem qualquer tipo de controle ou de teste para suas habilidades médicas. É verdade que todos afirmam que a homeopatia é inofensiva em todos os casos, mas isso é totalmente verdade? Qual é a responsabilidade moral dos diferentes governos diante desta questão?  
  1. Quem tem o direito científico de praticar a homeopatia.
  Médicos mantêm que só eles têm o direito de exercer a profissão, que eles são treinados para entenderem a patologia do caso, para compreenderem o prognóstico, por conhecerem os perigos de um diagnóstico errado e a consequência de tratamento mal feito, especialmente quanto às medidas urgentes que devem ser tomadas em um caso grave. Mas, por outro lado, sabemos que todos os casos morrem sob um excelente e especialista em tratamento alopático e não temos pesquisas que mostram o que aconteceria se esses casos fossem deixados para serem tratados por um homeopata experiente. Não é que eles não morrerão, mas o que dizer sobre o conforto e a qualidade de vida até o momento da morte? Por todas estas razões, é compreensível que o problema é antigo e difícil para qualquer um resolvê-lo ou até mesmo propor uma solução viável, mas por todas estas razões a minha política desde o início da minha carreira docente que remonta à 1961 foi treinar os médicos e profissionais homeopatas juntos. Na verdade, quem foi autorizado a praticar legalmente em seus respectivos países foi aceito- com a lógica de que, se eles estão autorizados a praticarem, eles poderão muito bem ser treinados mais profundamente, mais corretamente, mais plenamente, para que possam produzir melhores resultados. Eu fui realmente o primeiro na história da educação homeopática que misturou no mesmo grupo os médicos e não médicos, e eu acho que se justifica, pois eu vejo hoje os bons resultados terapêuticos que vários dos meus alunos têm, em ambos os grupos. Este Jornal abre hoje suas páginas a todos aqueles que gostariam de expressar a sua opinião e os seus argumentos sobre esta questão bastante complicada e sensível.   Aqui você encontra as correspondências que já recebemos sobre esta matéria: “Considero que é lamentável que a cisma ainda exista entre os homeopatas médicos e os homeopatas treinados profissionalmente. Da mesma forma, a necessidade de médicos terem referências para a sua formação médica convencional, ainda reforça a dominância do modelo convencional atual, quando na verdade, a homeopatia está se tornando forte o bastante para se sustentar. Precisamos agora apoiar a construção de escolas homeopáticas, a fim de proporcionar formação médica homeopática completa. As escolas médicas estabelecidas estão muito arraigados na ortodoxia de mudar por um longo tempo.” Stephen Gordon, ECCH & ICCH Geral Secretário Inglaterra  - 13 de outubro de 1995 “A minha segunda edição só chegou ontem. O assunto discutido no editorial desta edição é, sem dúvida, sobre um problema universal que diz respeito a toda a comunidade homeopática. Elogio vocês, por mais uma vez, por terem trazido este assunto à atenção de todos. No entanto, depois de ter reconhecido a sua contribuição para esta matéria, não significa que eu compartilhe todo o seu ponto de vista ou que darei o meu apoio incondicional nesta área. Por favor, não me entenda mal. Eu sou um defensor dedicado e feroz da boa educação. Se isso é conseguido ao frequentar uma universidade, faculdade ou qualquer outra coisa - a tempo integral, o melhor. No entanto, o médico que é educado pela melhor universidade não significa necessariamente que se tornará o melhor homeopata.Com todo o meu respeitos Sr. Vithoulkas, você dá a impressão em seu editorial, que só os médicos, que estudam a homeopatia, têm um direito dado por Deus para a prática desta terapia.Concordo plenamente com você que a educação homeopática é uma bagunça. Considerando o seu profundo conhecimento da homeopatia, você é visto como um líder. Por esta mesma razão, que eu tenho certeza que você adquiriu ao longo de muitos anos de trabalho duro e dedicado, você está em uma posição para mudar toda a situação da educação, não só na Grécia, Europa, mas também na América do Norte. Alonissos, está longe de ser a maioria dos alunos. Minha visão engloba a crença de que se não se pode levar os alunos à Alonissos, então, por favor, "traga" Alonissos para os alunos.O que é realmente necessário, são muitas ACADEMIAS INTERNACIONAIS DE HOMEOPATIA CLÁSSICA, espalhadas por todo o mundo. Assim como os Jogos Olímpicos, que se originou na Grécia, e agora são realizadas em todo o mundo, estas academias seriam localizadas em todo o mundo, talvez com a sede em Alonissos. "Nos deixe" trabalhar para obtermos essa visão. Então, "nos deixe" implementar a sua visão como descrito em “Homeopatia – A Medicina do Novo Homem.” Atenciosamente, Henrique A. Pedro -Toronto, Canadá “Parece-me que os médicos homeopatas e os profissionais estão se comunicando muito mais do que nunca e no momento em que há um crescimento juntos, o que pode resultar em profissionais homeopatas trabalhando no Serviço Nacional de Saúde em uma escala nunca antes vista. Isso já está começando em pequena escala.O ato de exclusão das pessoas as ensinaram ser quem elas são, e agora estas são aceitas pelos médicos, é um pouco parecido como a política do governo britânico ao construir mais estradas, para lidar com o problema do tráfego, i. e., é uma política antiquado e indo na direção oposta ao que seria esperado. Você esperaria menos estradas, mais ferroviário, mais reuniões com médicos e não menos.” Phil Edmonds, U. K.   Fonte: VITHOULKAS, GEORGE. “Medical Doctors versus professional Homeopaths.” Disponível em: http://www.vithoulkas.com/en/writings/controversies/2209.html.

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Por George Vithoulkas Todos nós sabemos como é importante a disposição do paciente e os sintomas mentais para uma prescrição homeopática correta. Isso foi ressaltado por Hahnemann, por Kent, pelos grandes Mestres e recentemente por mim, nas aulas sobre “Essências dos Remédios.” Nessas aulas, eu alertei meus alunos para o fato de que nós não encontramos uma imagem mental em todos os casos, nem tampouco teremos todas as duplicatas dos estados mentais dos remédios. Agora, outra nova ideia nova tem sido espalhada. Esses professores afirmam que todos os casos apresentam sintomas mentais, e também que todos os casos devam ser tratados de acordo com a sintomatologia mental. Cada um dos seus seguidores que estudam tais ensinamentos, está buscando por tais sintomas, e na maioria das vezes, em vão. Esta ideia surgiu da leitura do parágrafo 210 do Organon, o qual diz: “em todas as doenças físicas, a condição da disposição e a mente está sempre alterada.” A interpretação errônea surgiu porque eles interpretaram as palavras “mente está sempre alterada” com significado de “a mente está sempre adoecida.” Mas neste parágrafo todo, o que diz é que a disposição está simplesmente “alterada” e não adoecida! Hahnemann não afirmou que isto é sempre patológico. Uma alteração dos sintomas mentais e disposição poderia ser em direção positiva também. Poderia ser em direção à saúde e não em direção à doença. Por que então deveria considerar tais condições como a calma, tranquilidade, falta de medo, etc., como sintomas mentais? Vamos ver o que Hahnemann quis dizer na verdade ao escrever estas observações. Parágrafo 210 do Organon, afirma: “Deste tipo são as chamadas doenças da mente. Contudo, não chegam a constituir uma classe de doença marcadamente separada de todas as outras, já que em todas as demais, assim chamadas doenças físicas, a disposição da alma e da mente altera-se sempre,  e em todos os casos de moléstias que devemos curar, o estado da disposição do paciente deve receber atenção especial, como um dos principais dentro da totalidade dos sintomas, a fim de podermos obter o quadro preciso da doença para, a partir dele, podermos tratá-la homeopaticamente com sucesso.” Sankaran também influenciou diversos professores a seguirem sua má interpretação. Estes “professores” interpretaram este parágrafo de tal maneira, como se significasse que podemos encontrar patologia mental em todos os casos!! E que devemos basear as nossas prescrições em cima disso, por excelência. Mas, é bem sabido por todos homeopatas experientes que, por exemplo, nos quadros crônicos e graves, tais como os casos de psoríase, artrite reumatoide, lúpus eritematoso, graves erupções de pele, reumatismo ou quadros atríticos severos, etc., não existem sintomas mentais sobre os quais pode-se basear uma prescrição. Se alguém tentar prescrever baseando-se na patologia mental, apesar da ausência dos sintomas, e se alguém começar a imaginar ou rejeitar os sintomas do paciente, em breve o resultado será um desapontamento para o homeopata. Por outro lado, é igualmente bem conhecido que nos casos de neuroses de ansiedade graves, onde temos bastante sintomas mentais, fobias de diferentes tipos, etc., após a administração do remédio correto, o estado mental é esclarecido, e frequentemente uma leucorreia grave persistente estabelece-se e dura por meses, se não forem anos. Se vocês tiverem que prescrever agora um segundo remédio para esta descarga, vocês não encontrarão mais nenhum sintoma mental sobre o qual poderão basear a segunda prescrição. O mesmo é verdade se a paciente chega para ser tratada, diretamente e pela primeira vez, a leucorreia. Pela duração da leucorreia, embora a paciente possa estar sofrendo bastante no nível físico com a coceira e descarga, não havia patologia mental. Aconteceu de eu estar tratando tal caso no momento: a ansiedade e fobias desapareceram e apareceu uma grave leucorreia com prurido. Após diversas tentativas de cura sem sucesso, a paciente suprimiu a leucorreia com drogas alopáticas e dentro de poucos meses, toda a síndrome de ansiedade reapareceu com a mesma intensidade. Novamente, a vida da paciente se tornou um inferno. Eu prescrevi novamente para a ansiedade e a paciente se sentiu maravilhosamente bem, mas a leucorreia retornou tão grave quanto antes. Durant estes 7 meses de leucorreia, não havia nenhum sintoma mental. É óbvio que Hahnemann também não quis dizer o que estes professores “carismáticos” entenderam. O próprio Hahnemann, nos parágrafos seguintes ao 210 no Organon, observa a mudança da patologia mental com a patologia física e vice-versa. É bem sabido e completamente verificado que os sintomas mentais desenvolvidos como doença, se movimenta em direção ao centro, enquanto os sintomas físicos são manifestados logo que desaparecem os sintomas mentais. É também conhecido e confirmado que uma vez que tenhamos a patologia física, os sintomas mentais desaparecem e vice-versa. Estes são fatos que mesmo um homeopata jovem tem visto e verificado na sua rotina. Ao seguir a leitura do Organon, toda a questão é facilmente esclarecida, e a ideia de Hahnemann se torna visível. No parágrafo 253, Hahnemann discute o que ele considera como patologia mental, e o que é a saúde mental: Parágrafo 253: “A melhora da condição da mente é indicada pelo aumento da sensação de conforto, maior tranquilidade e liberdade da mente, coragem elevada e o retorno da naturalidade no sentimento do paciente. Os sinais da agravação são opostos ao anterior e consiste em embaraço, estado de desamparo da mente, enquanto o comportamento, atitude e ações do paciente suplica a nossa complacência.” A mudança dos sintomas mentais com os físicos também foram registrados nos seguintes parágrafos: Parágrafo 215: “Quase todas as chamadas doenças mentais e emocionais nada mais são que males físicos, em que o sintoma de perturbação da mente e da disposição peculiar a cada uma delas está aumentada, ao passo que os sintomas físicos declinam.” (O oposto também é verdadeiro). Parágrafo 216: “Não são raros os casos em que a chamada doença física que ameaça ser fatal se transforma em loucura, em uma espécie de melancolia ou mania, em virtude de um rápido aumento dos sintomas psíquicos que já se achavam presentes, onde os sintomas físicos perdem todo o seu perigo; estes últimos melhoram ao ponto de quase chegarem a uma saúde perfeita, de modo que, em uma palavra, as afecções dos órgãos físicos mais grosseiros são, por assim dizer, transferidas e conduzidas para os órgãos quase espirituais, da mente e emocionais, que o anatomista ainda não alcançou e jamais virá a alcançar com sua lanceta.” Parágrafo 218: “A esta relação de sintomas pertence, em primeiro lugar, a descrição exata de todos os fenômenos da doença física, por assim dizer, que já existia antes de degenerar em um aumento unilateral dos sintomas físicos e tornar-se uma doença da mente e da alma.” (É muito claro neste último parágrafo que Hahnemann observou o que todos os homeopatas observaram também. Que se os sintomas físicos são suprimidos, então a esfera mental se torna adoecida e, portanto, neste caso ele fala sobre o estado doentio da mente e não uma alteração). Eu compreendo que essas são as dificuldades da compreensão, logo que uma pessoa precisa ler o Organon não como parágrafos, mas sim como um todo, antes de ser capaz de interpretá-lo corretamente. Eu tentei elucidar esses assuntos no meu novo livro “UM NOVO MODELO PARA SAÚDE E DOENÇA” e ainda assim eles aparentam ser bastante difíceis para os estudantes compreenderem. Em um artigo deste tipo não é possível exaurir este assunto, o qual apresenta muitos outros parâmetros. Na prática atual, temos deparado com diversas possibilidades referentes aos sintomas mentais:
  1. Nos casos nos quais não temos patologia mental, mas grave sintomatologia física, a prescrição deverá ser baseada nos sintomas físicos.
Vocês realizarão tais prescrições nos casos de psoríase, na artrite reumatoide, nos quadros artríticos ou reumáticos graves, etc.
  1. Existem casos onde temos a patologia mental mas o remédio indicado é um remédio pequeno, sobre o qual não sabemos qualquer patologia mental. Em tais casos, devemos basear nossas prescrições novamente nos sintomas físicos deste remédio.
  2. Nós temos casos onde existe a patologia mental e tal patologia é conhecida por ser produzida por um remédio. Nestes casos, devemos considerar esta patologia e basear a nossa prescrição primeiramente sobre tal patologia.
  Devemos considerar também as diferentes possibilidades na avaliação do tratamento.
  1. Um caso pode apresentar sintomas mentais que eventualmente possam se tornar sintomas físicos e os mentais são aliviados. Podemos dizer que é grosseiramente a direção correta da ação curativa.
  2. Os sintomas físicos podem desaparecer e os sintomas mentais podem aparecer. Isso não é sempre uma supressão, mas às vezes pode ser a correta forma do tratamento, desde que os sintomas físicos sejam muito mais graves e limitantes para o paciente do que os sintomas mentais que surgiram agora. Isto poderia parecer uma nova ideia, mas que, na verdade, surgiu das observações de Hahnemann.
Ele diz no rodapé do parágrafo 210: “Quantas vezes não nos encontramos diante de pacientes que estão de humor dócil e pacífico, embora tenham sofrido durante anos doenças dolorosíssimas, tanto que o médico vê-se forçado a estimar e condoer-se do doente! Porém, se ele vence o mal, restabelecendo a saúde do paciente, como frequentemente ocorre na clínica homeopática, muitas vezes se espanta e horroriza à vista da terrível alteração da sua disposição. Frequentemente testemunha caso de ingratidão, crueldade, refinada maldade, bem como as piores tendências, e mais degradantes para a humanidade, que constituíam, exatamente, características do paciente antes de adoecer. “ O oposto também é verdadeiro, de acordo com as observações de Hahnemann, logo que ele continua no mesmo rodapé: “...Os que eram pacientes quando sãos, tornam-se às vezes obstinados, violentos, apressados ou mesmo intolerantes e caprichosos, ou impacientes e prepotentes quando adoecem; os que eram castos e pudicos, tornam-se agora luxuriosos e despudorados. Uma pessoa de mente clara frequentemente fica com o intelecto embotado, enquanto que uma que em circunstâncias normais tem a mente fraca, torna-se mais prudente e pensativa; e uma pessoa lenta em tomar decisões, às vezes, adquire grande presença de espírito e rapidez de decisão.”
  1. Se os sintomas físicos surgem e os sintomas mentais são aliviados, temos a direção correta para a cura, contanto que a sintomatologia física representa uma condição igual ou menos grave na sua totalidade do que a limitação mental. É possível em alguns casos, onde o remédio errado foi administrado, que ele possa agravar a situação física e ainda assim, não ser curativo para o paciente ou para a sua condição mental.
Temos observado este fenômeno com as agravações de pele, especialmente com Sulphur, quando ele não é indicado, onde o paciente torna-se muito pior na sua condição da pele, sem ter uma melhora igual no seu estado da mente ao mesmo tempo. Existem professores de Homeopatia que eles mesmos são confusos e que, portanto, confunde os estudantes, particularmente os iniciantes, que confiam neles e os escutam com boa-fé. Essas confusões surgiram principalmente por 2 motivos:
  1. Os professores não têm clareza na interpretação do Organon, e suas experiências não os permitem uma completa compreensão, ou
  2. Eles são ambiciosos e querem lançar um “novo” caminho, dando uma “cara nova” à Homeopatia ou eles apenas querem impressionar os alunos ingênuos ao afirmarem algo diferente. Em breve, tais “professores” farão propostas de coisas chocantes, como potencializar o hino da nação, vamos dizer, da França e prescrevê-lo aos nacionalistas Franceses! Todo tipo de besteira tem sido feita em nome da... renovação a homeopatia!
Por qualquer motivo, o dano é irreparável. Os estudantes estão sendo enganados, pacientes são tratados de forma errônea e foi dada uma má reputação à Homeopatia. EU POSSO PREVER QUE O EFEITO DO ENSINAMENTO ERRÔNEO, PELOS PROFESSORES “CARISMÁTICOS” QUE SÃO CONFUSOS, SERÁ DESASTROSO PARA O FUTURO DA HOMEOPATIA. Artigo original: VITHOULKAS, GEORGE. "Misinterpretations of the Organon." European Journal of Classical Homeopathy. v.1.n.2. Alonissos: International Academy of Classical Homeopathy, 1995.

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Eduardo Almeida, MD, PhD          "Mais importante do que saber que doença o indivíduo tem, é saber que indivíduo tem a doença” Sir William Ösler   “O principal obstáculo ao progresso não é a ignorância, mas a ilusão do conhecimento”   Daniel Boorstin     Os médicos, sobretudo os que se destacam de alguma maneira, costumam ser indivíduos idealistas, empreendedores e socialmente responsáveis. Costumam fazer da profissão quase que um exercício de fé das suas convicções. Entre essas convicções temos  concepções e teorias médicas que pertencem ao campo mutável do conhecimento humano. Até aqui, nada mais natural, pois estamos ainda no nível da decisão pessoal. O problema é quando ele alcança status de regulador da prática médica, como os membros dos Conselhos de Medicina, funcionários públicos dos setores normativos e reguladores. Nas suas funções farão valer os seus pontos de vista, que têm a ver com a sua cultura médica, seu estilo de pensamento, sua experiência, etc.. Isso não é uma particularidade da medicina brasileira, mas uma realidade mundial. Um médico francês, por exemplo, não lê mais do que um livro não médico por ano. Cada vez mais a medicina é dominada pela visão estreita do especialista. O especialista já traz consigo o viés simplificador e reducionista da complexidade orgânica e, no plano das idéias, é uma presa fácil do chamado discurso científico na medicina. Dizem ser a medicina uma ciência, e que qualquer validação médica deve passar pelo crivo da ciência. Ou seja, uma determinada prática médica deve provar a sua cientificidade para ser incorporada pelo médico. Quando se fala de ciência, não está se referindo ao método científico de modo profundo e ampliado, ou da epistemologia médica, mas simplesmente se referem ao crivo dos chamados Estudos Duplos Cegos Aleatórios (EDCAs) ou no inglês Randomized Controlled Clinical Trials (CCTs), que passaram a ser sinônimo de ciência na medicina de hoje. Gostaríamos de abrir um debate positivo sem maniqueísmos e dogmatismo, com o intuito de caminharmos na direção do objetivo primordial da medicina – o alívio do sofrimento e a cura do paciente.   Seria a Medicina uma ciência? A incorporação parcial dos avanços científicos e tecnológicos pela medicina acadêmica trouxe uma noção quase senso comum de status de ciência nessa medicina. Por isso, os historiadores da medicina a classificam como iatrotécnica. Ou seja, uma medicina que tecnifica o adoecimento humano. Nesse processo, há uma ampla incorporação de tecnologia, que reforça ainda mais o caráter técnico. Entretanto, mesmo incorporando intensivamente a tecnologia moderna, a medicina acadêmica continua fiel seguidora das ciências clássicas. As ciências clássicas ganharam sistematização a partir da fundação da Royal Society Inglesa, em 1660. A Royal Society decidiu as regras da produção científica. O que passou a contar é a prova experimental, não a especulação, a fantasia, a superstição – Nullius in verba – não acredite no que alguém diz! Essa era a máxima do método científico nascente. A medicina demora quase um século para aderir às ciências clássicas. No Século XIX, a medicina assumiu as teses fundamentais da física de Galileu e Newton. A primeira grande tese das ciências clássicas está contida na célebre afirmação de Galileu: “Individuum est innefabile” - sobre o fato individual não se pode falar. A ciência só pode falar da regularidade, da repetição. Suas leis devem explicar a média, enquanto os fenômenos devem ser quantificados. De posse da lei que explicaria o fenômeno, ele se torna enquadrável e capaz de ser predeterminado. Ou seja, se conhece o fenômeno a priori. Como sabemos, todo conhecimento cria luz e sombra ao mesmo tempo. A sombra da tese de Galileu para a medicina, já havia sido percebida pelo médico Celsus no Século V quando disse: “O grande desafio da medicina é que ela produz conhecimento a partir do geral para tratar o indivíduo”. A segunda tese é a expressão do chamado mecanicismo Newtoniano, quando defende que o todo é a soma das partes, e que é possível conhecer o todo pelo estudo das partes. Tese claramente ligada à matemática linear onde 2+2=4. O mecanicismo Newtoniano nasce da análise de sistemas mecânicos fechados de ação-reação. Aqui a matemática linear se aproxima mais da realidade do fenômeno. Mas, seria científico aplicar teses elaboradas para sistemas fechados, para conhecer sistemas abertos, complexos e não lineares, como os são os seres vivos, e o homem como o mais complexo deles?. Frederic Vester no capítulo sobre os sistemas em seu livro Neuland des Denkens escreve: “Os sistemas vivos nunca são fechados, sempre se abrem para o exterior, são acessíveis de fora. Estamos acostumados a ver tudo que queremos examinar detidamente como unidades herméticas. Isso conduz a um modelo mecanicista que, em muitos casos, como na técnica, funciona maravilhosamente. Mas não para compreender um sistema vivo. Além disso, os “sistemas abertos” funcionam de acordo com as regras da cibernética, e isto significa que contam com a possibilidade de comunicação e regulação. Somente os sistemas abertos têm condições de se desenvolver individualmente.” Schwartz e Russek do Human Energy Systems da Universidade do Arizona classificam as concepções que buscam compreender o organismo humano em dois grupos: a) “No Systems Concept” - o concebe como  independente, estático, fechado, desconectado, linear, ao acaso, independente do estado, parte, fixo; b) “System Concept” - o concebe como interdependente, dinâmico, aberto, interativo, não linear, emergente, estado dependente, todo, flexível, criativo. É evidente que a medicina acadêmica segue o modelo de sistema fechado segundo Vester, e de “No Systems Concept” de Schwartz. Como reivindicar  ser científica quando comete tal desvio ao tentar conhecer o organismo humano?? Falaremos mais adiante sobre isso, mas para sermos mais diretos sobre a questão da medicina como ciência, farei outra indagação: que ciência consegue dar conta do homem nas suas dimensões biológica, bioelétrica, mental, emocional, anímica, espiritual/transcendente? Ou, teríamos a coragem de dizer que essas dimensões não influenciam o adoecimento humano, e deveríamos nos deter apenas ao corpo físico, como faz a medicina acadêmica sem ter a coragem de confessar? Fica claro que não há uma ciência capaz de conhecer a complexidade multidimensional do ser humano. O conhecimento do ser só pode estar  na instância da Arte, que é a instância possível e viável para articular conhecimentos tão complexos.  A medicina é uma doutrina fundada na cultura. O médico deve ser um artista capaz de processar e sistematizar a enorme gama de conhecimentos, não só das ciências formais, mas de todo o acervo cultural da humanidade. Será que os poetas, os artistas, os religiosos, os gurus, os escritores, os sensitivos, também não são capazes de ajudar o médico no conhecimento do adoecimento humano? Não cabe aqui introduzir as positividades que as chamadas ciências da complexidade, sobretudo a física quântica, vêm acenando há mais de 80 anos para a medicina, mas que ficam restritas às suas máquinas. Ou seja, a medicina usa máquinas quânticas, mas continua presa epistemologicamente ao mecanicismo newtoniano. Se a medicina fosse ciência, ela já deveria ter abandonado as teses mecanicistas e aderido às teses da mecânica quântica. Assim não o faz por ser uma doutrina, e uma doutrina tem muito mais a ver com cultura do que com ciência. Isso fica claro na medida em que aprofundamos a prática democrática para além dos direitos civis e políticos, e caminhamos na direção do respeito às “individualidades culturais”. Esse tem sido o grande foco dos filósofos modernos entre eles Habermas. No campo médico, por exemplo, cresce o número de pessoas que não aceitam, pelo menos em parte, os preceitos da medicina acadêmica, e buscam uma medicina natural e não intervencionista. Isso tem sido contemplado em certos países com a criação de outros profissionais como o “Natural Doctor” (ND), nos EUA e o “Naturheilpraktiker”,  na Alemanha. No Brasil a tendência tem sido a do médico caminhar nessa direção. Mas o CFM e os CRMs têm pressionado esses médicos e dificultado suas formação e prática profissionais. Com isso, entregam de bandeja o nicho de mercado para “terapeutas” de baixa qualificação, já que não temos cursos de nível superior  com a duração de um curso médico na área da medicina natural, como os são os citados nos EUA e na Alemanha. Portanto, mais uma medida no mínimo inócua, sob um discurso de proteção da saúde do cidadão e da ética médica, quando de fato estão reproduzindo, muitas vezes sem o saber, os interesses dos oligopólios no campo médico.   Estudos Duplo Cego Aleatórios O processo atual e mundial de validação da medicina está centrado essencialmente nos chamados Estudos Duplo Cego Randomizados ouRandomized  Controlled Clinical Trials (RCCT). Em homenagem à origem e a forte valorização desse método pela cultura médica inglesa e norteamericana, usarei o termo em inglês Randomized Controlled Clinical Trials (RCCTs) ao longo desse artigo. Os estudos clínicos de observação ou os testes clínicos de seguimento simples não randomizados e não comparativos surgem na medicina com os trabalhos de observação clinica de Hahnemann, na época, chamados de estudos em anima nobilis. A medicina de Hahneman e o seu método eram essencialmente empíricos. Na primeira metade do Século XX a epidemiologia inglesa começa a sua marcha na construção do método hoje hegemônico dos RCCTs. Inicialmente, buscava-se  identificar nexos causais entre um determinado fator e uma doença. O primeiro grande estudo foi o nexo causal entre o tabagismo e o câncer de pulmão. Aqui cabe um comentário bastante ilustrativo da lógica que passa orientar o pensamento médico. O médico e epidemiologista Richard Doll líder dessa pesquisa contou que foi despertado para o estudo, quando certa vez, passando pela a enfermaria de pneumologia do hospital em que trabalhava, resolveu folhear os prontuários, e notou serem tabagistas quase todos os internados com câncer de pulmão. Saiu dali e resolveu montar um RCCT para avaliar a relação tabagismo e câncer de pulmão. Usou para tal os médicos ingleses. O resultado é de conhecimento de todos. Precisou-se de mais 20 anos para constatar através de RCCT a relação tabagismo e doenças cardiocirculatórias, e uns 25 anos para a relação tabagismo e outros cânceres. Aqui já se delineava claramente o estilo de pensamento que passou a dominar o pensamento médico. Estabeleceu-se o consenso, avançou-se no sentido da institucionalização e chegou ao estágio atual que chamo de “Ditadura do CCTs”. Ora, desde a década de 20, várias observações médicas incriminavam o tabagismo como causador de cânceres e outras moléstias. Como se tratava de observações de casos (anecdotal) eram pouco valorizados. O JAMA, revista médica da  America Medical Association, e publicação médica mais lida no mundo, foi patrocinado por três décadas (20 a 40) pela indústria de tabaco Philips Morris. Chegou a publicar artigos médicos que defendiam a troca da marca do cigarro para melhorar a tosse crônica. Nesse período, a figura do médico era o principal garoto propaganda da indústria do tabaco. Daí em diante, a observação médica, o caso singular, a experiência, a argúcia e a sensibilidade médicas entram para o terreno do subjetivo e do não científico (empirismo). O fato científico na medicina só com a chancela dos RCCTs. Isso foi tão repetido que virou uma verdade inquestionável. O médico de hoje quando fala que a sua medicina é científica, assim o faz porque para ele sua medicina  responde ao método dos RCCTs, e que as outras medicinas ditas complementares não são científicas, porque não respondem aos RCCTs. Vamos tratar disso mais adiante. Mas, para não perder a oportunidade do exemplo do tabagismo, gostaria de introduzir algumas perguntas. Será que realmente não podemos firmar um conhecimento mesmo que de suspeição, quando vemos pela observação individual um nexo causal? Será que não podemos aplicar o pensamento dedutivo e lógico sobre a ação conhecida de determinados fatores estressantes ao organismo e o risco de adoecimento? Será que o médico não poderia de antemão deduzir que um indivíduo que inala a combustão do tabaco, colocando para dentro de si o monóxido de carbono e centenas de outras substâncias químicas ativas, não estaria colocando em risco a sua saúde? Devemos sempre esperar que um RCCT apareça para dizer ao médico o que fazer e o que pensar? Por exemplo, eu como clinico tenho observado o efeito tóxico do adoçante químico aspartame em dezenas de pacientes. Faço a suspeição, retiro o adoçante e o cliente reverte os sintomas. Eu não poderia concluir sobre o efeito tóxico desse adoçante, mesmo que para uma parcela da população, ou só através de um RCCT? O experiente médico e professor da Universidade de Miami, H.J. Roberts, autor de um livro clássico da medicina clinica “Difficult Diagnosis”,também concluiu o mesmo pela sua experiência clinica, e já escreveu cerca de 5 livros sobre o tema, o mais conhecido deles Aspartame Disease: An Ignored Epidemic(2001). Não usa RCCT  e sim a sua observação clínica sistemática. Isso não significa produção válida de conhecimento?   Dissecando o método RCCT O “consenso médico” estabeleceu que o RCCT é: a) um procedimento científico; b)  uma realização que segue o desenho original; c) a única maneira confiável de introduzir e avaliar uma terapêutica; d) a prática médica deve se guiar pelos RCCTs; e) Se ficar comprovado que uma terapêutica considerada eficaz, se provou ineficaz no RCCT, ela deve ser abandonada. Quando nos aprofundamos no estudo dos RCCTs, vemos o seguinte: a) não ser científico em nenhum aspecto do termo; b) raramente é conduzido conforme seu desenho original; c) não é a única maneira, nem a melhor, para se concluir sobre novas terapêuticas; d) não afeta, como se pensa, o hábito dos médicos prescreverem. Vamos examiná-lo à luz das regras do método científico de acordo com  Northrop. Para esse autor clássico de metodologia científica, o desenho de um estudo deve seguir a seguinte metodologia: a) análise do problema; b) descrição dos elementos; c) formulação de hipóteses; d) teste das hipóteses sob condições controladas. Os RCCTs atropelam os itens c e d de Northrop. Na grande maioria das vezes eles testam simplesmente se o medicamento X funciona para doença Y. O destacado historiador da medicina Harris Coulter comenta em relação aos RCCTs: “trata-se de um experimento realizado sobre uma entidade misteriosa, irreal e desconhecida, um enquadramento do indivíduo doente pelos seus aspectos comuns. Tal resultado não pode ser extrapolado para além do grupo estudado”. Alvan Feinstein da Academia de Medicina de Nova York afirma: “O que é arcaico na medicina de hoje é... a idéia de que o fenômeno natural complexo que ocorre no indivíduo doente, possa ser adequadamente classificado por uma taxonomia devotada apenas à doença.” (1976) O RCCT é um instrumento muito apropriado para medicina acadêmica, pois sua metodologia básica é simplificar realidades complexas, através da construção de modelos gerais. Assim, o grande modelo geral construido pela medicina acadêmica – a doença e seu determinismo monocausal – é perfeitamente contemplado pelo método. A generalização através da doença entidade específica provoca um recorte simplificador da complexidade presente no adoecimento individual. Se o médico ao invés da doença, valorizar as múltiplas determinações (ações recíprocas), que ocorrem no processo de vida e adoecimento do indivíduo, o método do RCCT se torna completamente inapropriado. Se o médico reconhecesse que os conhecimentos referentes à vida não têm qualquer relevância para a medicina, ficaríamos por aqui. Entretanto,nem o mais conservador dos médicos seria capaz de desqualificar essa relevância. Mas, na prática, quase todos assim o fazem ao assumir os preceitos de uma ciência natural que esquivou-se da vida para ser “ciência”. Ela criou fronteiras artificiais que levam ao afastamento da medicina do organismo enquanto um sistema vivo aberto e não linear. Podemos dizer que o método do RCCT promove os seguintes desvios: a) constrói um modelo geral para abordar realidades complexas; b)geralmente trabalha com a unicausalidade; c) quase sempre responde à lógica linear e predeterminista; d) quanto mais complexo o problema maior o reducionismo. O RCCT é a expressão da dominância do pensamento quantitativo na medicina, também influência da matemática linear das ciências clássicas.“Meça o que pode ser medido, e submeta ao mensurável o que não pode”, eis o mote quantitativo. De acordo com Johnson “Um CCT é 1/10 medicina e 9/10 burocracia” (F.N. Johnson, PhD) A grande maioria dos “RCCTs” são trabalhos laboriosos para comprovar eficácia de medicamentos ou distinguir entre formas quase idênticas de tratamento. É, hoje, o grande instrumento para a indústria farmacêutica determinar a tendência da terapêutica médica. O médico na sua pratica terapêutica perdeu ou abriu mão completamente da possibilidade de ser criativo ou produzir conhecimentos sobre a terapêutica. Está cada vez mais dependente dos RCCTs  patrocinados pela indústria farmacêutica. A determinação dos rumos da terapêutica passa sempre pelas agências reguladoras que assumiram integralmente a ditadura dos RCCTs. Mas, para isso também tem uma historinha. No final da década de 50, o episódio da talidomida provoca uma verdadeira comoção. Embora essa droga não tivesse sido aprovada pelo FDA, ela foi distribuída como amostra entre os médicos (calmante), e cerca de 1200 gestantes fizeram uso da talidomida. O médico e agente do FDA Frances Kelsey que negou a aprovação da talidomida, tornou-se um herói nacional. Em Outubro de 1962, o presidente Kennedy assina ato que amplia a função do FDA, que antes só avaliava a toxidade de um medicamento, e passa a avaliar também a eficácia. Mas, como se avalia a eficácia de uma determinada droga? A resposta simples e direta na época foi: “Basta retirar o efeito placebo contido em toda prescrição médica”. Isso começou a ser feito e os estatísticos passaram em grande medida a definir os rumos da medicina. A eficácia de uma droga é medida pela “significância” do resultado obtido através  dos “RCCTs”. Definiu-se que quando a droga avaliada apresenta P <0,05 (5%) seu efeito é superior ao do placebo. Mas, quem definiu a tal “significância”? O destacado bioestatístico H Butler descobriu, para sua surpresa, que o estatístico inglês Sir Ronald A Fischer (1890-1962), em 1925, em seu livro “Statistical Methods for Research Works” escolheu arbitrariamente P= 0,05 como uma importante variável estatística. Esse valor P< 0,05 nunca foi científicamente provado. Mesmo dentro da convenção para uma terapia eficaz de P< 0,05, cerca de 1 a cada 20 estudos cai na categoria de falso positivo. Portanto, os “RCCTs”  nunca foram validados!!!! Os “RCCTs” ganharam tal proeminência na medicina de hoje, que a terapêutica validada pelo método é chamada de “padrão ouro”. A fixação no método é tão extremada, que os estatísticos têm papel central no inicio, meio e fim da pesquisa terapêutica. A observação médica está completamente secundarizada. Veja a situação apresentada por Hoffer: um Prof. de medicina diante de uma mulher com quadro de púpura trombocitopênica idiopática, disse-lhe que não havia o que fazer. Ela voltou meses depois para avaliação e estava tudo normal. A paciente disse ao médico, que um vendedor de farmácia havia sugerido que ela tomasse Vit C 1 g/dia, e ela assim o fez. O médico ficou curioso com o resultado e resolveu prescrever o mesmo para os seus outros clientes com problema semelhante. Tratou 8 pacientes obtendo a reversão em todos eles. Como a reversão espontânea desse problema é quase zero, o médico escreveu um artigo para publicação no New Engl J Med, mas teve a publicação negada,  pois suas observações não tiveram a chancela de um “RCCT”. O “RCCT” é um método que cai como uma luva para a demanda da burocracia no processo de institucionalização das práticas médicas (Ministério da Saúde, ANVISA, Indústria Farmacêutica, outras agências, etc) . São instituições que não precisam decidir em termos clínicos e entregam para os estatísticos/epidemiologistas a produção das normas a serem seguidas. Médicos e clientes ainda não perceberam que as consequências desse processo recaem sobre eles. O médico vítima da ditadura dos “RCCTs” deixa de ser um produtor de conhecimento através da observação individual de casos e da experiência. Desaparece a arte médica e entra em cena o desenho estatistico do adoecimento e da terapêutica, acessível a qualquer um independente da experiência. Se não existe uma arte médica porque pagar por algo que não existe? São todos soldados rasos das estatísticas e das normas institucionalizadas. O paciente é abordado como um número dentro do seu enquadre estatístico. Suas particularidades e singularidades não encontram a menor chance de serem consideradas. Smith e Pell publicaram os resultados de investigação para saber se realmente paraquedas previnem morte ou grande trauma. Eles não foram capazes de achar um “RCCT”  da ação do paraqueda nesses casos. O que o autor quer mostrar é que muitas conclusões são auto-evidentes. Os defensores radicais dos “RCCTs”  poderiam contribuir para o esclarecimento da ação dos paraquedas participando como voluntários do “grupo caso”!!!!(Brit Med Journal, 2003; 327:1459-1461). Segundo Hoffer o “padrão ouro” da moderna terapêutica médica é um método imperfeito que ainda não foi testado para se saber se realmente faz o que se supõe que ele faça. Ele induz a produção de outro grupo de problemas novos e não pode ser chamado de científico. Mas, a grande “vantagem” dos “RCCTs”  é remover a necessidade do médico pensar, chegar a uma conclusão mais acurada e decidir. Ou mesmo aceitar o desafio de entender a complexidade do processo individual de adoecimento e estabelecer terapias amigáveis e criativas. Mas isso não interessa ao complexo médico institucionalizado. A grande maioria dos medicamentos e terapêuticas  médicas realmente eficazes não surgiram via “RCCTs”, uma vez que elas não precisam desse método para comprovar suas eficácias, são auto-evidentes Os “RCCTs”  poderiam ajudar na avaliação da toxidade e rendimento de tratamentos de leve eficácia. Nesses casos, estudos de larga escala são necessários para evidenciar alguma eficácia. O Dr David Horrobin questiona os estudos em larga escala e defende focar em observações curtas em diferentes centros. Longe de mim negar a capacidade que o método RCCT tem para produzir conhecimentos na medicina.  Não vou realçá-la aqui, pois não é minha missão. O que não falta são adeptos para defendê-lo. Penso que ele tem os seus méritos e importância, mas também tem limitações como qualquer outro método. Minha intenção é chamar a atenção para a limitação do método. Suas contribuições devem ser apropriadamente avaliadas e processadas pela arte médica. Tão importante quanto valorizar os aspectos positivos do método, é perceber suas limitações. Mas, o mais grave de tudo é transformá-lo em único método válido de produção de conhecimento  e validação na medicina. Aqui está mais uma vez a marca do pensamento mecanicista e racional, que se apropria de um método quantitativo e o transforma na única instância de validação num claro viés cientificista. A produção de conhecimento médico baseada na análise de casos, na experiência médica não sistematizada, tem lugar de destaque na história da medicina. Mesmo hoje com a ditadura dos “RCCTs”, cerca de 80% da prática médica carece de validação por esse método. Levantamento do Office Technology Assessment (OTA), um setor de assessoria do Congresso Americano, revelou em 1978, que apenas  20% de todos os procedimentos médicos correntes mostraram eficácia através dos RCCTs. Editorial no Brit. Med. Journal confirmou esses dados, e concluiu que 85% de todos os procedimentos médicos incluindo cirurgias não foram comprovados pelos RCCTs. (BMJ, Oct. 91). Segundo artigos do JAMA:  “Parte significativa, talvez a maioria da prática médica contemporânea carece de fundamentos científicos” (JAMA, 269:3030;1993) .... “Apenas um em cada dez métodos mais comuns de diagnose e terapêutica tem alguma base investigativa” (JAMA, 263:278; 1990).   Segundo Coulter a apropriação dos resultados dos RCCTs pela medicina, estabelece quase sempre um modelo de abordagem aprioristico e predeterminado, que agride o caráter individual e complexo do adoecimento humano e, por isso, não pode ser considerado científico. “Àquele que tenta aplicar uma cadeia causal unidimensional para um sistema interconectado, não pode reivindicar ser científico” (Thomas, 1984). Mesmo diante da série de limitações do método RCCT e dos próprios fundamentos da medicina acadêmica, a prática médica por ela sustentada oferece resultados significativos para a cultura e sociedade que a gestou. Mas, com as inevitáveis mudanças, os desafios aparecem e seus limites são tensionados. Os limites da medicina acadêmica são hoje tensionados pelo número crescente de doenças idiopáticas, pela autoimunidade, pelas doenças crônicas que já representam 90% da nosologia médica.   Nossa medicina acadêmica tem característica de medicina heróica, salvadora de vida, intervencionista. Esse é o seu território privilegiado, por isso o desafio das doenças crônicas é, sem dúvida, o seu grande desafio.  Ela terá que alargar muito os seus conhecimentos para contemplá-lo de forma satisfatória.                                             O Efeito Placebo O efeito placebo, a partir da dominância do RCCTs, ganha um status negativo na medicina. Está implícito nesse status conteúdos como não ciência, ineficácia terapêutica, má medicina. Ora, existe um consenso de que o placebo possui uma eficácia que varia entre 36 e 42%. Como a medicina acadêmica só acredita na eficácia de um medicamento que seja uma molécula química ativa, ela simplesmente joga para debaixo do tapete o efeito placebo. O efeito placebo evidencia uma série de questões que a medicina acadêmica  não tem condições de lidar, sem abalar os seus fundamentos químicos exclusivos. Se o efeito placebo ocorre em quase 50% das ações terapêuticas, é sinal que existe uma dinâmica curativa no organismo, fortemente influenciada por “fatores extramedicina”. Como sabemos que tais fatores são na verdade sombras ou gaps cognitivos da medicina acadêmica, eles não aparecem ou são varridos para debaixo do tapete. Cabe a um outro modo de conhecer o organismo (medicina ou sistema médico) recuperá-los e superar os limites cognitivos do modelo anterior. Isso deveria ser a coisa mais normal no ofício médico, mas a ideologia científica que impregna a medicina acadêmica obstrui fortemente essa dinâmica. Como nos ensinou Einstein “Os problemas significantes que temos não podem ser resolvidos no mesmo nível do pensamento que os criou”. Para Benson: “Muito da história da medicina é a história do efeito placebo” (Herbert Benson, Harvard University).   Manipulação dos RCCTs A comunidade médica começa finalmente a tomar conhecimento de percentual significativo de manipulação contido nos RCCTs. Em 1994 um survey no Massachussets General Hospital  com mais de 3 mil pesquisadores acadêmicos, revelou que 64% deles tinham laços financeiros com corporações; 20% admitiram que atrasaram publicação de resultados por pelo menos 6 meses para obter patentes, ou “amenizar dados negativos”. Recentemente a ex-editora (demitida) por 20 anos do New England J. of  Medicine, Marcia Angell, publicou um documento contundente a respeito da manipulação das indústrias farmacêuticas (The Truth about Drug Companies: How They Deceive Us and What to Do About It, 2004). Como diz Berg: “Comumente se você aceita financiamento de uma companhia, fica incluido uma cláusula que você não liberará dados que forem negativos. Obviamente, isso tem um impacto negativo na ciência” (Paul Berg – Nobel de Química)   O Saber Empírico O saber empírico construído através da experiência e arte médicas, tem sido o grande manancial de conhecimento médico ao longo da história da medicina ocidental. Os RCCTs bem como as observações de Hahnemann são na essência modelos empíricos de observação. O primeiro busca um nexo entre dois fatores padronizados numa amostra. O segundo é um sistema de observação aberto para a expressão da individualidade. Mas, o pensamento racional na medicina apropria-se dos RCCTs de modo aprioristico, para reduzir a complexidade do adoecimento num modelo geral, mecanicista e simplificado de compreensão. Como diz HL Mencken: “Para cada problema complexo existe uma solução que é simples, direta, compreensível e errada”.                               Se não nos detivermos no modelo de medicina centrada na doença entidade específica, e assumirmos a complexidade do ser em suas várias dimensões: biológica, cultural, psicoemocional, anímica, espiritual, fica claro que apenas a instância da ARTE pode ser capaz de processar as várias dimensões do ser, e oferecer uma medicina de paradigma inclusivo ou uma concepção médica eclética.  Sendo assim, como poderíamos então validar arte pelos RCCTs? O processo de validação na Medicina está completamente invertido. A medicina é colocada na posição de ciência e a partir daí deverá responder ao processo lógico/racional de validação científica quantitativa das ciências clássicas. Mas, como ARTE  e mesmo como uma doutrina fundada na ética, seu campo de validação é outro. Encontra-se no terreno do resultado. Não apenas do resultado imediato e de causa-efeito quantificado pelo modelo RCCT. Mas também os avaliados através da consideração de  ações recíprocas e complementares de médio e longo prazo, que as várias influências são capazes de promover no sistema aberto e não linear, só acessíveis à avaliação do médico e do próprio cliente. Paracelsus (1493-1541) para enfrentar a medicina acadêmica e burocratizada de sua época cunhou a célebre frase que deve estar sempre na mente dos médicos. Disse ele: “Quem cura tem razão”. Jorge Alonso atualizando a afirmação de Paracelsus para os nossos dias diz: “Só existe uma Medicina – a que cura”. H G Eberhardt acrescenta: “só o resultado pode unir a medicina”   Conclusão: A medicina acadêmica é fruto da ruptura (Sec. XIX) na tradição médica do primum non nocere - valorização da força curativa do organismo. A noção de germe e doença específicos pavimentou a entrada da química sintética na terapêutica. Através da Química estranha ao organismo, a medicina prescindiu da noção de natureza curativa, e teve  à mão um potente instrumento de intervenção - a Quimioterapia. Química essa, que  Laurent e Berthelot, destacados químicos franceses, em 1860, disseram  ser uma ciência criadora de seus próprios objetos, ou seja, que muda o curso normal da Natureza. A Medicina apropriou do discurso científico e se estabeleceu enquanto uma ciência. Desse modo, passou a ter os mesmos balizamentos das ciências clássicas: a explicação racional dos fenômenos; a quantificação; a generalização. Abriu mão da arte da terapêutica e estabeleceu o primado da diagnose sobre a terapêutica. Tornou sem valor a observação de casos, o fato individual (anecdotal). Só é significativa a regularidade, a média, a repetição, como nas ciências clássicas. Daí o papel exercido pelos RCCTs na produção de conhecimento nessa medicina. O médico quando abre mão da terapêutica e se preocupa essencialmente com a diagnose, dá uma espécie de tiro no pé. Deixa por conta da indústria farmacêutica  a produção de conhecimento e insumo terapêuticos,  e passa a ser um mero prescritor, na maioria das vezes na linha da supressão de sintomas. Isso reduz a sua eficácia terapêutica e há uma homogeinização e massificação da prescrição. Nessa equação só tem um ganhador – a indústria farmacêutica. O médico que pratica a medicina como Arte disponibiliza para o seu cliente a sua Arte e isso lhe proporciona autonomia, reconhecimento, eficácia e diferenciação. A defesa a ferro e fogo dos RCCTs interessa exclusivamente a indústria farmacêutica, que busca homogeneizar a pratica, apagando o caráter de Arte da prática médica - um atributo extremamente importante para o sucesso terapêutico. Diria mesmo que o domínio dos RCCTs se dá em detrimento daexpertise médica. É preciso que os médicos e seus órgãos de classe, sobretudo o CFM reflitam sobre isso, e considerem de forma ampla os vários processos de validação da prática médica e, ao invés de inibir com a exigência dos RCCTs,  estimulem a criatividade e a busca de resultados terapêuticos que estão muito além dos possíveis recursos oferecidos pela indústria farmacêutica.   Referências  
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  18. Vester, F.. Neuland des Denkens, Deutsche Verlagsanstalt, Stuttgart, 1980
Artigo original: Sobre a validação na Medicina - Alguns comentários. Por Eduardo Almeida, MD, PhD Disponível em http://www.arzt.com.br/artigos/sobre-a-validacao-na-medicina---alguns-comentarios Imagem: https://scienceroll.files.wordpress.com/2015/01/bigstock-medical-doctor-holding-a-world-49089542-s.jpg

Estrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativa
Níveis de saúde, obra escrita pelo Professor George Vithoulkas, é uma contribuição muito original para a Medicina em geral e, em particular, para homeopatia, pois descreve um meio de saber se um paciente está melhorando ou regredindo, quando este se encontra sob qualquer tratamento, seja homeopático ou qualquer outro. Esta teoria proporciona a possibilidade de o médico avaliar o caso e realizar um prognóstico melhor e mais acurado. O assunto sobre níveis de saúde foi mencionado brevemente no principal livro George Vithoulkas,A Ciência da Homeopatia, escrito em 1977. Agora, pela primeira vez, com o vantagem dos 50 anos de prática homeopática, experiência e observação diligente, George Vithoulkas apresenta uma teoria totalmente desenvolvida e a maneira de aplicá-la na prática diária. Na elaboração do conceito dos Níveis de Saúde, ele discute em detalhes todas as possíveis reações do mecanismo de defesa do organismo, no âmbito do tratamento homeopático e os significados dessas reações. Ele elabora os parâmetros que definem o nível de saúde no qual o paciente se encontra, dentro de um sistema de doze níveis. A segunda parte, escrita por Erik van Woensel, "Estudos de Casos", diz respeito principalmente à aplicação prática da homeopatia. Este capítulo se trata de análises profundas de casos e ele contém casos com vários graus de dificuldades. Nele são descritas as etapas das análises, passo a passo e o autor mostra como os princípios dos Níveis de Saúde são aplicados na prática homeopática. Todo homeopata deve ser capaz de avaliar o tratamento aplicado e compreender o motivo pelo qual ele nem sempre traz os resultados esperados. "Os níveis de saúde" fornece as ferramentas para realizar essa tarefa. O livro “Os Níveis de Saúde” está disponível em português e será lançado no Seminário Internacional de Homeopatia Clássica, nos dias 26 a 29 de Março de 2015, em Belo Horizonte. Todos os ensinamentos do professor George Vithoulkas estão disponíveis no Programa E-Learning, desenvolvido pela Academia Internacional de Homeopatia Clássica e promovido no Brasil pela Homeosapiens. Maiores informações: www.homeosapiens.com.br Levels of Health -The Second Volume of "The Science of Homeopathy" by George Vithoulkas and Erik van Woensel “The Levels of Health” is a highly original contribution to medicine in general and to homeopathy in particular written by Professor George Vithoulkas. By describing a means of knowing whether a patient is improving or regressing under any treatment, whether homeopathic or otherwise, provides the possibility for the practitioner to evaluate the case and make a better and more accurate prognosis. The subject of Levels of Health was mentioned briefly in George Vithoulkas’ main textbook, “The Science of Homeopathy”, which was written in 1977 ; now, for the first time, with the benefit of 50 years of homeopathic practice, experience and diligent observation, George Vithoulkas presents a fully developed theory and a way of applying it in everyday practice. In his elaboration of the concept of Levels of Health, he discusses in detail all the possible reactions of the organism’s defense mechanism under the homeopathic treatment and the meaning of those reactions. He elaborates the parameters that define the Level of Health to which a patient belongs in a system of twelve levels. The second part, “Case studies”, concerns mainly the practical application of homeopathy; it was written by Erik van Woensel. This chapter deals in depth with case analysis, which is illustrated with cases of various degrees of difficulty. Describing the analysis step by step, the author shows how the principles of the Levels of Health are applied in homeopathic practice. Every homeopath needs to be able to evaluate the treatment he or she has given and understand why it does not always bring the expected results. “The Levels of Health”provides the tools for accomplishing that task. The whole teaching by Prof. George Vithoulkas in now available in the E-Learning Program of International Academy of Classical Homeopathy http://www.vithoulkas.com/en/contributions-of-gv/levels-of-health.html

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