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Journal of Evidence-Based Complementary & Alternative Medicine 2017, Vol. 22(3) 381-384 ª Reimpressão e permissão do (s) autor (es) 2016: sagepub.com/journalsPermissions.nav DOI: 10.1177/2156587216682168 journals.sagepub.com/home/cam

 

Vitalie Va˘ca˘ras¸, MD, PhD1,2,*, George Vithoulkas3,*, Anca Dana Buzoianu, PhD1 , Ioan Ma˘rginean, MD, PhD1,2, Zoltan Major, MD, PhD1 , Veronica Va˘ca˘ras¸, PhD4 , Romulus Dan Nicoara˘, MA2 , e Menachem Oberbaum, MD5 

RESUMO

A psicose pós-parto apresenta consequências duradouras para mãe e filho. Além da depressão, e distúrbios alimentares e do sono, exaustão, retraimento social e ansiedade, a depressão pósparto também pode interferir na ligação materno-infantil normal e afetar adversamente o desenvolvimento infantil. Relatórios recentes mostram que as mulheres grávidas mais afetadas hesitam em tomar antidepressivos, com alto percentual de interrupção do uso. Alguns autores sugerem que a relutância das mulheres gestantes em tomar medicamentos antidepressivos deve encorajar os médicos a discutirem com suas pacientes acerca do uso de intervenções ou formas alternativas de tratamento. Neste artigo, um caso de depressão pós-parto grave, tratado com sucesso com a terapia homeopática, é apresentado. Ao considerar o alto índice de descontinuidade do uso de medicação antidepressiva convencional por mulheres que sofrem de depressão pós-parto, é justificada a pesquisa acerca dos métodos médicos complementares seguros. Um desses métodos deverá ser a homeopatia.

Palavras-chave: depressão pós-parto, homeopatia, Agnus castus

A maioria dos estudos identifica 3 transtornos psiquiátricos no pós-parto: a tristeza pósparto, depressão pós-parto e psicose pós-parto. A tristeza pós-parto é um período autolimitado de humor instável e geralmente melhora durante as primeiras semanas após o parto, sem tratamento. É detectada entre 39% a 85% das mulheres após o parto.1,2 As manifestações clínicas de depressão pós-parto incluem distúrbios do sono, oscilação de humor, mudança de apetite, medo de prejudicar o bebê, preocupação extrema com o bebê, tristeza, choro excessivo, sentimento de culpa e desamparo, dificuldades de concentração e distúrbio da memória, perda de interesse nas atividades diárias e pensamentos recorrentes sobre a morte, que podem incluir ideação suicida. Afeta 10% a 15% das novas mães.3 A psicose pós-parto é uma condição rara, mas grave, que ocorre em 1 a 2 mulheres por 1000 dentro de 2 dias a 4 semanas após o parto.4 Tem sido sugerido ser uma apresentação óbvia de transtorno bipolar, com o período coincidindo com as alterações hormonais após o parto.5 Marcado pelo surgimento rápido, a instabilidade do humor, o pensamento desorganizado, as alucinações e delírios colocam as mulheres em risco de autoagressão, de prejudicarem seus recém-nascidos, de apresentarem uma baixa autoestima e um pobre vínculo entre mãe-bebê.6,7

A psicose pós-parto traz consequências duradouras para a mãe e o filho.8 Além do sofrimento e incapacidade associados a esse transtorno, há riscos a longo prazo associados com a doença, incluindo aumento do risco de recorrência de psicose periparto e não periparto com aumento da carga da doença e episódios depressivos subsequentes.8,9 Além disso, filhos de mães com psicose periparto apresentam um aumento do risco de atrasos no desenvolvimento e problemas comportamentais.10-13 A gravidade da doença mental pós-parto é ressaltada pelos resultados de um estudo realizado no Reino Unido entre 1994 e 1996, 14 os quais demonstraram que 12% das mortes maternas foram decorrentes de doenças psiquiátricas - 10% de suicídio, tornando esta a maior causa isolada da morte pós-parto. Este estudo também mostrou que o suicídio pós-parto, em contraste ao suicídio por mulheres em geral, é frequentemente forjado por meios violentos, ao invés de overdose de drogas.

Apesar da prevalência de depressão pós-parto e comprometimento clínico associado, relatos recentes mostram que mulheres grávidas afetadas estão hesitantes em tomar drogas antidepressivas, com alto percentual de interrupção do uso.15-17 O subtratamento generalizado da depressão perinatal é preocupante, tendo em vista os vários riscos para as mulheres e para os lactentes, incluindo retardo do crescimento intrauterino, baixo peso ao nascimento e prematuridade.18 Battle et al19 sugerem que a relutância das mulheres grávidas em tomarem medicamentos antidepressivos deve encorajar os clínicos a discutirem com suas pacientes o uso de intervenções psicológicas e formas alternativas de tratamento - terapia de luz, massagem terapêutica, suplementação de ácidos graxos ômega-3, e outros. Pesquisadores estão começando a estudar as terapias da medicina complementar e alternativa para a depressão pósparto para ampliarem o escopo dos tratamentos atuais e para alcançarem mais mulheres.20-22 Um benefício destes métodos é a sua ausência de impacto negativo sobre as crianças a curto ou a longo prazo e existe a possibilidade de afetá-los positivamente.19 Tais métodos também não apresentam efeitos colaterais graves na parturiente durante a gravidez ou após o parto. Além disso, as  mulheres são mais dispostas a usarem esses recursos, uma vez que são considerados seguros.

Apresentamos um caso de depressão pós-parto grave que foi tratado com sucesso com a homeopatia.

Apresentação do caso

Uma estudante de medicina primípara de 25 anos de idade em seu 14º dia pós-parto foi internada na clínica psiquiátrica do Departamento de Neurociência do Hospital Municipal de Emergência em Cluj Napoca, Romênia, com sintomas psicopatológicos dominados por agitação psicomotora, comportamento desorganizado, delírio alucinatório, solilóquio, dissociação ideoverbal, e agressividade. A paciente apresentava um histórico de um primeiro episódio aos 17 anos de idade, quando ela respondeu bem ao tratamento antipsicótico e antidepressivo. O tratamento foi interrompido 2 anos depois, e um segundo episódio ocorreu 18 meses depois disso. Ela seguiu o tratamento indicado por mais 3 anos. Aos 23 anos, ela se casou e engravidou em torno de um ano depois. A evolução da gravidez foi normal, além de uma necessidade exagerada de dormir. Na admissão, a paciente apresentava um olhar fixo e bizarro, evitando contato visual, movimentos de performance reduzidos e gestos, baixo limiar perceptivo, possíveis alucinações auditivas e visuais complexas, alucinações olfativas, aprosexia concentrativa com hiperprosexia centrada em temas alucinatório-delirantes, dissociação ideoverbal, ideias delirantes paranoicas de interpretação, de perseguição, mística, labilidade emocional, labilidade afetiva, negativismo motor e verbal, instintos diminuídos e insônia mista. A avaliação diagnóstica de rotina, incluindo o exame físico, estudos laboratoriais e uma tomografia computadorizada, se apresentavam normais. A paciente marcou 24/30 na Escala de Depressão Pós-natal de Edimburgo, uma escala de autorrelato com 10 itens (pontuação de 0 a 3) projetada para identificar as mulheres que apresentavam sintomas depressivos (escore de corte para identificar mulheres como depressivas: 13); nas 3 subescalas da Escala da Síndrome Positiva e Negativa utilizada para avaliar a intensidade dos sintomas da esquizofrenia, ela pontuou da seguinte forma: Pontuação da Escala Positiva, 39/49; Pontuação da Escala Negativa, 42/49; Escala da Psicopatologia Geral, 72/16-112; ela marcou 45/100 na Avaliação Global da Escala de Funcionalidade, uma escala numérica empregada para avaliar subjetivamente o funcionamento social, ocupacional e psicológico de adultos; e 6/7 na escala da Impressão Clínica Global, que mede os resultados clínicos da gravidade dos sintomas, do tratamento e a eficácia em sujeitos com psicose.

O tratamento foi iniciado com haloperidol (10 mg / dia), olanzapina (20 mg / dia) e diazepam (30 mg / dia) e mantidos ao longo dos 8 dias de internação no departamento. Devido a depressão persistente, foi proposta a terapia eletroconvulsiva, a qual foi rejeitada pela paciente e sua família, que optaram pelo tratamento homeopático. A pedido deles, a paciente recebeu alta hospitalar sob sua própria responsabilidade.

No dia da alta, o tratamento homeopático foi iniciado com a administração de Agnus Castus 30C, 7 glóbulos via sublingual, duas vezes ao dia. Agnus castus (também conhecido como árvore da castidade, o bálsamo de Abraão, alecrim de Angola e a pimenteira do monge) é uma árvore nativa da região mediterrânea, frequentemente utilizada em homeopatia para tratar condições depressivas com pensamentos suicidas.23 

Os dois primeiros dias de tratamento foram caracterizados por uma reação de sonolência, a paciente acordava apenas para se alimentar. No terceiro dia, uma melhora impressionante foi observada, a agitação psicomotora, alucinações, loquacidade e os distúrbios comportamentais desapareceram. O terceiro dia também foi caracterizado pelo desaparecimento de todos os outros sintomas psiquiátricos - mania de perseguição, alucinações e agitação psicomotora. Uma leve sonolência e desorientação acerca do tempo e do espaço ainda podiam ser observadas. A partir do quinto dia, ela voltou a amamentar o bebê. Três semanas após o início do tratamento, todos os sintomas haviam desaparecido e o tratamento foi interrompido. Sua reintegração social e familiar foi concluída após cerca de 2 semanas.

Após 4 semanas de tratamento, ela marcou 10 na Escala de Depressão Pós-natal Edinburgh. Nas 3 subescalas da Escala de Síndrome Positiva e Negativa, ela pontuou da seguinte forma: Pontuação da Escala Positiva 14; Pontuação da Escala Negativa, 17; e Escala da Psicopatologia Geral 35. Ela marcou 80 na Escala da Avaliação Global de Funcionalidade e 2 na escala da Impressão Clínica Global. 

Hoje, 9 meses após a hospitalização e 8 meses após interromper o tratamento, a paciente se encontra livre de queixas, apesar de ter vivenciado um período estressante quando ela realizou o exame de proficiência em medicina, no qual ela atingiu uma pontuação elevada. Atualmente, ela está desfrutando de uma segunda gravidez sem problemas!

Conclusão

A homeopatia é um sistema médico baseado em duas teorias: "semelhante cura semelhante"- uma doença pode ser curada por uma substância que produza sintomas semelhantes em pessoas saudáveis; e a "lei da dose mínima"- quanto menor a dose da medicação, maior a sua eficácia.24 A homeopatia não é um método padrão no qual o medicamento trata uma doença. Ela é, na verdade, um método em que o medicamento é adaptado para cada indivíduo. Todavia, Vithoulkas descreveu em 2008 Agnus castus como um remédio que poderia ser apropriado para o tratamento da depressão pós-parto.25 A melhoria dramática na condição da paciente com o uso de medicamentos homeopáticos foi corroborada por todos os parâmetros avaliados pelas três escalas utilizadas rotineiramente pelo departamento e neste caso.

Como é esperado na medicina homeopática, nenhum efeito colateral foi observado. Apesar do período estressante que se seguiu durante o tratamento (nova maternidade e preparação para o exame de proficiência) e ausência de qualquer medicação convencional, não ocorreu nenhuma recaída. Muito pouco tempo se passou para tirar conclusões sobre a alegação de que o tratamento homeopático produz remissão duradoura ou mesmo cura, mas o fato de o humor da paciente se encontrar muito bom, o nível de energia se apresentar maior do que no passado, e sua capacidade impecável de enfrentamento é extremamente promissor.

Apresentamos um caso de depressão pós-parto tratado homeopaticamente, um tratamento livre de efeitos colaterais e barato. Se a alegação homeopática estiver correta, podemos esperar uma remissão duradoura ou mesmo uma cura completa sem qualquer outro tratamento. Considerando o alto índice de descumprimento pelas mulheres com depressão pósparto em relação ao tratamento convencional (tratamento que é estigmatizado por profissionais de saúde e por informações negativas), 26 e a relutância na amamentação por mulheres que tomam medicações antidepressivas, as quais podem ser transferidas para o bebê, 27,28 a pesquisa acerca dos métodos complementares seguros é justificado. Um desses métodos deverá ser a homeopatia.

Nota do autor
Vitalie Va˘ca˘ras¸ e George Vithoulkas são os autores principais.

Contribuições do autor

Vitalie Va˘ca˘ras¸: Tratamento do paciente, redação do esboço do artigo e redigiu a versão final. George Vithoulkas: Co-planejamento do plano de tratamento e redigiu o esboço do artigo. Anca Dana Buzoianu: Documentação e revisão farmacológica. Ioan Ma˘rginean: Documentação e redação do esboço do artigo. Zoltan Major: Documentação e revisão farmacológica. Veronica Va˘ca˘ras¸: Avaliação psicológica e redação do esboço do artigo. Romulus Dan Va˘ca˘ras¸ et al Nicoara˘:Avaliação psicológica. Menachem Oberbaum: Assessoria no planejamento do tratamento, redigindo o rascunho do artigo e escrevendo a versão do artigo.

Declaração de interesses conflitantes

Os autores declararam não haver conflitos de interesse potenciais em relação à pesquisa, autoria e/ou publicação deste artigo

Financiamento

Os autores não receberam apoio financeiro para a pesquisa, autoria, e / ou publicação deste artigo.

Referências

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1 University of Medicine and Pharmacy, ‘‘Iuliu Hatieganu,’’ Cluj-Napoca, Romania
2 County Emergency Hospital, Cluj-Napoca, Romania
3 International Academy of Classical Homeopathy, Alonissos, Greece
4 Romanian Psychology Association, Cluj-Napoca, Romania
5 The Center for Integrative Complementary Medicine, Shaare Zedek Medical Center, Jerusalem, Israel *Both authors contributed equally to the paper
Correspondência: Menachem Oberbaum, MD, Center for Integrative Complementary Medicine, Shaare Zedek Medical Center, 12 Shmuel Bait Street, Jerusalem, Israel. Email: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. 

 



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Seema Mahesh, Mahesh Mallappa, George Vithoulkas1

 

RESUMO

A gangrena e suas amputações associadas são clinicamente desafiadoras, mas a Homeopatia oferece opções de terapia. Nesta série de casos, são apresentados 5 casos, nos quais o tratamento homeopático impediu a amputação de uma parte do corpo. A homeopatia estimula a capacidade de cura do corpo através de seus mecanismos imunológicos; consequentemente, realiza a cicatrização de feridas e estabelece a circulação na parte gangrenosa. Ao invés de concentrar-se nos fenômenos locais da patologia da gangrena, o tratamento foca nas indicações gerais do sistema imunológico, salientando o importante papel do sistema imunológico como um todo. O objetivo foi mostrar, através dos relatos de casos, que a terapia homeopática é capaz de tratar a gangrena sem a amputação da parte gangrenosa e, portanto, é uma substituição notável a ser considerada no tratamento da gangrena.

 

Palavras-chave: Amputação, Gangrena, Homeopatia, Sistema Imunológico


Background

A gangrena é uma condição caracterizada pela necrose de uma parte do corpo devido à falta de circulação, lesão ou infecção. O tecido se esgota de oxigênio e finalmente morre. Muitas condições podem levar à gangrena, as mais comuns são: lesões periféricas, doenças vasculares (por exemplo, no tabagismo crônico e diabetes mellitus) e infecções. E também, poderá ocorrer em certas doenças hematológicas, como na policitemia. A gangrena é classificada como seca, úmida ou gasosa. Na gangrena seca, existe uma linha clássica de demarcação entre os tecidos necrótico e normal. Quando a causa da gangrena se encontra nos vasos sanguíneos (por exemplo, na doença vascular periférica e policitemia), existe uma área morta claramente definida com pouca ou nenhuma descarga ou pus. A gangrena úmida geralmente ocorre em casos de infecção e lesão; a área necrotizante pode estar suja; pode estar inchando, com descarga e descamação. Às vezes, isso ocorre até mesmo em uma área de gangrena seca, caso ocorra uma infecção secundária na lesão. A gangrena gasosa é a infecção específica por Clostridium perfringens, que libera toxinas produtoras de gás; provocando o borbulhamento dos tecidos. As gangrenas úmida e gasosa se espalham muito rapidamente. Além disso, devido às toxinas liberadas, a sepse resultante pode ser fatal em um período muito curto. Estes casos geralmente requerem amputação da parte do corpo. No entanto, nos casos em que tais medidas drásticas não podem ser justificadas, o tratamento inclui debridamento e tratamento das feridas, revascularização e oxigenoterapia hiperbárica.

O ônus da amputação (em geral) é bastante pesado. Globalmente, um milhão de amputações ocorrem a cada ano; aproximadamente uma amputação a cada 30 segundos. Estima-se que o número de amputados atingirá 435 milhões até 2030; destes, mais de 54% serão afetados somente por doenças vasculares periféricas, especialmente pela diabetes mellitus. [1] Além disso, a mortalidade entre as pessoas que sofrem amputação é muito alta, especialmente se tiverem doenças vasculares. [2] Uma outra sobrecarga causada pela gangrena é a afecção psicológica que os pacientes amputados sofrem; o ciclo de medo, depressão e pânico é prejudicial para a sua melhora. [3] Finalmente, a amputação é realizada geralmente em pacientes com o comprometimento do fluxo sanguíneo, o que reduz suas chances de cicatrização de feridas, mesmo após a cirurgia. [4] Apresentamos aqui 5 casos, nos quais o tratamento homeopático impediu a amputação de uma parte do corpo. Esses pacientes foram tratados no Center for Classical Homeopathy, em Bangalore, Índia. 

Todos os pacientes foram submetidos ao curativo regular da gangrena, como parte do tratamento, sem o uso de nenhum antisséptico, exceto a tintura-mãe de Calendula officinalis, que foi utilizada com a finalidade de limpeza. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética ou Júri de Revisão Institucional e foi obtido o consentimento informado para o trabalho, o qual foi realizado em conformidade com o código de ética da Associação Médica Mundial (Declaração de Helsinque) para experimentos que envolvem humanos.

RELATOS DE CASOS

Caso 1

Uma mulher de 60 anos apresentava úlceras no pé esquerdo; figura 1

• Diabética há 18 anos; utilizava 30 unidades de insulina por dia

• A úlcera piorou progressivamente ao longo do mês e a amputação foi programada

• Havia uma descarga negra e sanguinolenta da úlcera. O sangramento era profuso e odor intolerável

• Estava presente uma dor no pé, mas sem nenhuma sensibilidade ao toque. Havia também dormência em ambas as pernas

• O apetite estava reduzido e ela estava sem dormir

• Ela reclamou de uma sensação de frio no corpo, e suas extremidades estavam frias ao toque. 

Aqui, havia um comportamento específico dela que chamou a atenção do homeopata. Ela era indevidamente rude com o marido enquanto com os outros, seu comportamento era cortês. Em consulta, o marido confirmou que ela era mais rude com os familiares.

Prescrições e acompanhamento

As prescrições homeopáticas para este caso foram Sepia, Silica e Sulphur em sequência, ao longo de 3 meses [Tabela 1 e Figura 1a-f]. Durante este período, foi estabelecida a cicatrização da ferida; após 3 meses, ela estava andando sem ajuda. Posteriormente, ela continuou o tratamento para a diabetes.

Discussão

Neste caso, a amputação ao nível do joelho já estava agendada. Dessa forma, a cura da gangrena e a preservação do membro através da terapia homeopática foram notáveis. A estase circulatória, juntamente com a indiferença que ela mostrou em relação ao marido indicaram Sepia.[5] Pode-se notar também que Sepia é um dos principais remédios para extremidades frias e para úlceras no pé. [6] O remédio foi alterado para Silicea devido à mudança na natureza da descarga. Mais tarde, ela começou a ficar quente e a glicemia sanguínea aumentou. Ela também exibiu fome voraz e fome às 11 da manhã. Nesse momento, Sulphur foi prescrito. Na homeopatia clássica, um remédio por vez é administrado ao paciente e as regras também afirmam que quando um determinado medicamento deixa de agir (indicado pela alteração dos sintomas ou agravação do estado de melhora através da medicação anterior), é hora de reconsiderar e dar o próximo remédio indicado. Agora, este deverá concluir a ação que foi iniciada pelo remédio anterior. [7]



 

Caso 2

Um homem de 45 anos com gangrena do dedo mínimo; Figura 2 (a-e).

• O inchaço estendeu-se para a articulação do metacarpo

• Havia ardor intenso na palma da mão

• Não sentia dor na parte gangrenosa

• As extremidades tremiam

• Ele sentia náusea ao pensar e sentir cheiro de comida e era incapaz de comer

• Ele apresentava uma acuidade visual reduzida nos últimos 8 anos

• Ele era alcoólatra e fumante nos últimos 25 anos

• Seu nível de glicemia sanguínea estava normal

• A sede estava aumentada, com a necessidade frequente de beber, até mesmo à noite

• Ele estava inquieto na cama.

• Ele desejava limões e sal

• Ele sentia calafrios frequentemente

• Doppler arterial do seu membro superior direito sem nenhum estreitamento/ estenose significativo nas artérias até o pulso; doença do pequeno vaso distal/doença embólica não pôde ser descartada

• Neste caso, nenhuma outra medicação alopática ou outros foram empregados, exceto os que foram mencionados.

Prescrição e acompanhamento

O remédio homeopático, Arsenicum album 12C, 5 vezes ao dia por 1 mês, foi prescrito [Tabela 2]. A medicação não foi alterada durante todo o período de 1 mês, após o qual o paciente parou tratamento devido à cicatrização completa da gangrena.

Discussão 

Este caso demonstra a facilidade com que a gangrena é cicatrizada em um caso descomplicado. Aqui, não havia diabetes mellitus, mas havia um histórico de tabagismo pesado, o que pode ter afetado os vasos distais, ocasionando a gangrena. O Arsenicum album é um dos remédios que apresentam a putrefação como sua característica e é utilizado extensivamente nas condições sépticas. [8] O mesmo remédio também auxiliou neste caso. A patologia e a sintomatologia foram bem cobertas pelo remédio, por isso a recuperação completa e rápida.





Caso 3

Um homem de 59 anos de idade apresentou recaída da gangrena diabética; o seu pé direito estava gangrenoso há 3 semanas. Dois anos antes, o mesmo pé estava gangrenoso, e o segundo dedo do pé foi amputado.

• O pé direito estava dolorido

• O pé gangrenado estava inchado, com uma descarga ofensiva. Figura 3 (a-e).

• Ele sentia fraqueza ao longo do dia

• Ocasionalmente, ele sentia falta de ar

• Ele apresentava secura na boca, mas sem sede

• No tratamento com insulina para diabetes mellitus, utilizava 20–10 unidades. Em ocasiões de asma grave, o paciente recorria a inaladores de corticosteroides. Caso contrário, nenhum outro medicamento foi utilizado durante o curso do tratamento

• Ele teve infarto do miocárdio 2 anos antes

• Ele tinha um histórico familiar de asma (pai)

• A fome estava aumentada durante a noite e desejava doces e laranjas

• Ele dormia tarde e sobre o abdômen.

Prescrição e acompanhamento

O Medorrhinum ajudou a curar a ferida deste paciente em 3 meses [Tabela 3]. A glicemia ficou sob controle, bem como a insulina foi reduzida progressivamente e suspensa. Após 3 meses, ele interrompeu o tratamento, pois vivia em uma cidade diferente e foi incapaz de continuar. Dois anos depois, houve uma recaída da gangrena no mesmo pé. Neste meio tempo, ele começou a utilizar insulina e verificava constantemente a glicemia sanguínea. Naquela época, o remédio homeopático Arsenicum album foi prescrito [Tabela 3], e o curou em um mês. Dessa forma, ele recebeu tratamento para gangrena duas vezes e com sucesso.

Discussão

O primeiro remédio Medorrhinum foi prescrito com base nos sintomas gerais que o paciente exibia (especialmente o desejo por laranjas, que era forte). Aqui, o caso mostra que ele apresentava uma condição crônica ocorrendo internamente e que a gangrena estava recidivante. Isso indicou que ele precisaria receber um remédio mais profundo, que poderia tocar a camada básica da doença. O Medorrinum é um desses remédios. Portanto, ele limpou a gangrena e aliviou também a sua asma. Sua glicemia também foi estabilizada e mantida sob controle. No entanto, neste caso, a gangrena recidivou novamente porque o paciente voltou a utilizar corticosteroides para a asma, como ele não poderia continuar com o tratamento homeopático. A supressão de sua asma ocasionou uma recaída mais profunda da patologia.

Desta vez, o remédio indicado foi aquele que apresenta sepse e putrefação. [8] Seus outros

sintomas também indicaram o mesmo remédio. Além disso, de fato a gangrena foi bem curada

com o Arsenicum album.






Caso 4

Um homem de 66 anos com gangrena em desenvolvimento no pé direito - Figura 4 (a-c).

• Diabético há 25 anos e tratado com 20 unidades de insulina

• Ele sentia secura na boca, com um pouco de sede

• Ele dormia sobre o lado direito

• Anteriormente, teve gangrena no pé esquerdo e os dedos foram amputados (março de 2006)

• Ele teve um infarto do miocárdio (1989)

• impressão do estudo Doppler mostrou que a artéria femoral superficial direita e a artéria poplítea estavam patentes e apresentavam uma doença moderada com fluxos bifásicos. As artérias tibiais anterior e posterior estavam fortemente calcificadas com fluxos pobres/irregulares. A artéria tibial posterior média direita mostrou um jato, sugerindo estenose de alto grau.

Prescrição e acompanhamento

O remédio homeopático Lachesis ajudou na cura, a gangrena estabilizou-se em 4 meses [Tabela 4].

Discussão 

Lachesis é um dos remédios que apresenta problemas circulatórios. Neste caso, a sintomatologia completa e a patologia (doença arterial) foram cobertas por Lachesis, mas o que se apresentou de forma intensa, foi a relação com a lateralidade do corpo dele. O corpo mostrou uma tendência de desenvolver afecções do lado direito após as manifestações do lado esquerdo. Ele também exibiu uma forte tendência a dormir sobre o lado direito. [6] Estes foram sintomas muito importantes que orientaram o médico na seleção do remédio. Em termos de prognóstico, este caso era muito desfavorável. Dessa forma, obter a cura da gangrena sem a necessidade de recorrer à amputação foi bastante notável.






Caso 5

Um homem de 70 anos que estava com a amputação da mão programada devido a gangrena diabética em 2004. Infelizmente, estão faltando dados do seu caso e um acompanhamento detalhado é difícil de relatar. Os sintomas registrados a partir da discussão em vídeo estão mencionados na Tabela 5 e Figura 5a-d.

Sintomas:

• Fome às 11:00

• Calor nos pés

• desejo de doces.

Prescrição e acompanhamento

O remédio Sulphur 30C foi prescrito para 1 mês, durante o qual a gangrena foi curada completamente.

Nota: Este paciente estava exclusivamente sob tratamento homeopático. Nenhum outro medicamento foi empregado.

Discussão

Este paciente era de uma área rural e como tal, apresentava um estado de saúde muito bem preservado. Os sintomas dele (gerais e locais) foram muito claros e marcantes. Ele não mostrou nenhuma mistura de remédios (o que indica novamente que ele era muito saudável). [9] Portanto, ao considerar os sintomas gerais, o Sulphur foi prescrito, o qual curou completamente a gangrena em um mês.





CONCLUSÃO

Um ser humano não está compartimentado em seus sistemas orgânicos. O corpo funciona e reage como um todo. Além disso, o corpo e a mente formam um complexo completo e devem ser tratados como tal, a fim de melhorar os resultados na saúde. As emoções e os pensamentos têm uma grande influência no funcionamento do corpo. O sistema imunológico não responde apenas aos estímulos externos, mas também àqueles internos, até mesmo aos da mente. A menos que esta integridade seja reconhecida e honrada, poderemos estar limitando a nossa abordagem de tratamento. [3] Ao entender a totalidade do organismo humano, qualquer doença poderá ser tratada com a utilização da força do corpo para se curar. A homeopatia utiliza essa força e impele a capacidade do indivíduo, conforme necessário, para superar os obstáculos da doença.

Nos casos acima, consideramos as feridas não curativas que evoluíram para gangrena. Na oclusão arterial crônica ou doença vascular periférica de longa duração, a circulação colateral geralmente se desenvolve para compensar o vaso ocluído ou inflamado [10,11]. Em determinadas situações, como nas lesões, novos vasos sanguíneos se desenvolvem como parte do processo de cicatrização das feridas. Este processo é automaticamente regulado pelo mecanismo de defesa do organismo. De fato, a cicatrização de feridas é uma orquestra de células imunológicas que atuam em perfeita harmonia e sequência. Para curar uma ferida corretamente, uma sequência de eventos deve ocorrer: hemostasia, inflamação, diferenciação, proliferação e migração seguida pela angiogênese e formação de tecido cicatricial firme. Células imunológicas, como os neutrófilos, também devem remover do local da ferida os resíduos celulares e microrganismos. As células T também desempenham um papel primordial na cicatrização de feridas e formação de tecido cicatricial. [12] Portanto, a cicatrização de feridas é um fenômeno multifacetado. 

Se ocorrer alguma falha (mesmo pequena) em um dos eventos do fenômeno de cicatrização de feridas, resultará na ausência de cura da ferida; a qual poderá progredir para gangrena devido a infecção excessiva. Em tais situações, a homeopatia será benéfica por ter como foco a estimulação do sistema imunológico para o restabelecimento da ordem. [9] Isto é alcançado através da compreensão cuidadosa da doença e a resposta individual do paciente a ela e, em seguida, com a seleção de um medicamento com base nessa percepção. Em outras palavras, a homeopatia considera a totalidade dos sintomas (mesmo aqueles não relacionados obviamente com a patologia), com a patologia em si. Isso faz com que seja criada uma compreensão holística do estado imunológico do paciente. Com o remédio homeopático certo, a inflamação e o processo de cicatrização de feridas se definem e, finalmente, fecham a ferida. Dentro de um curto período, o remédio cura a gangrena, controla a infecção e estabelece a circulação. Além disso, a Homeopatia é vantajosa porque o estado geral do paciente é preservado durante todo esse processo de cura da gangrena. Em casos diabéticos, observa-se também o controle dos níveis glicêmicos no sangue. A homeopatia pode ajudar a preservar a integridade do organismo em grande proporção. De fato, casos de amputação aparentemente inevitáveis (de acordo com a medicina convencional) podem responder surpreendentemente à Homeopatia e podem ser salvos. No entanto, a limitação para este método é a experiência do homeopata. Para avaliar a condição e posteriormente o progresso do paciente, o homeopata deve estar bem equipado com o conhecimento da patologia e das leis da homeopatia. Ele também precisa de uma percepção aguçada, sem a qual, lidar com esses casos potencialmente fatais não é recomendado. Além disso, de forma prática, o tempo é uma limitação. Há muito pouco tempo para o homeopata mais experiente cuidar dessas situações muitas vezes terríveis. Geralmente, um médico homeopata clássico consegue avaliar o prognóstico dentro de 24 horas da prescrição do remédio e entender (de acordo com as leis da cura), para onde o caso irá progredir. No entanto, em alguns casos, até mesmo esse tempo poderá ser fatal. Não há tempo para decidir pelo remédio correto após um erro.

Os relatos de casos acima fornecem claramente uma justificativa para o uso da homeopatia no tratamento de gangrena. É primordial a realização de um estudo interdisciplinar dos casos de gangrena tratados com a homeopatia, com a utilização das técnicas de imagem e patologia mais recentes. Esses relatos de caso são indicativos das possibilidades a serem alcançadas com estes tratamentos pioneiros. O fardo da amputação poderá ser bastante reduzido, com maior cooperação entre as disciplinas terapêuticas, e o tratamento poderá tornar-se holístico e centrado no paciente.

Suporte Financeiro e Patrocínio

Nenhum.

Conflitos de interesse

Não há conflitos de interesse.

REFERÊNCIAS

1. Advancedamputees.com. Amputee Statistics You Ought to Know; 2014. Available from: http://www.advancedamputees.com/ amputee-statistics-you-ought-know. [Last accessed on 2014 May 20].

2. Kurichi JE, Bates BE, Stineman MG. Amputation. In: Stone JH, Blouin M, editors. International Encyclopedia of Rehabilitation; 2010. Available from: http://www.cirrie.buffalo.edu/encyclopedia/en/ article/251/. [Last accessed on 2014 May 23].

3. Cousin N. Anatomy of an Illness as Perceived by the Patient. 1st ed. New York: Norton; 1979.

4. Ertl JP, Brackett WJ, Ertl W, Pritchett JW, Calhoun J, editors. Medscape: Medscape Access; 2014. Emedicine.medscape. com. Available from: http://www.emedicine.medscape.com/ article/1232102-overview. [Last accessed on 2014 May 20].

5. George V. Essence of Materia Medica. New Delhi: B Jain; 1990.

6. Vithoulkas Compass. N.P; 2014. Available from: http://www. Vithoulkascompass.com. [Last accessed on 2014 Feb 23].

7. Samuel H, Boericke W, Krauss J. Organon of Medicine. New Delhi: B Jain; 1992.

8. Kent JT. Lectures on Materia Medica. New Delhi: Jain Publishing; 1985.

9. Vithoulkas G, Woensel E. Levels of health. 1st ed. Alonissos, Greece: International Academy of Classical Homoeopathy; 2010.

10. Macchi C, Giannelli F, Cecchi F, Corcos L, Repice F, Cantini C, et al. Collateral circulation in occlusion of lower limbs arteries: An anatomical study and statistical research in 35 old subjects. Ital J Anat Embryol 1996;101:89-96.

11. Murrant CL. Structural and functional limitations of the collateral circulation in peripheral artery disease. J Physiol 2008;586 (Pt 24):5845.

12. Gawronska-Kozak B, Bogacki M, Rim JS, Monroe WT, Manuel JA. Scarless skin repair in immunodeficient mice. Wound Repair Regen 2006;14:265-76.

 



Médico Homeopata, Centre for Classical Homoeopathy, Vijaynagar, Bangalore, India, 1 Departmento de Cirurgia, International Academy of Classical Homoeopathy, Grécia Correspondência: Prof. George Vithoulkas, International Academy of Classical Homoeopathy, Greece.
E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
Recebido: 09-02-2015
Aceito: 26-05-2015
Para acessar este artigo online Como citar este artigo: Mahesh S, Mallappa M, Vithoulkas G. Gangrene: Five case studies of gangrene, preventing amputation through Homoeopathic therapy. Indian J Res Homoeopathy 2015;9:114-22.

 



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Um artigo publicado na Revista FACT - Exeter University pelo Prof. G. Vithoulkas

 

Após ler no artigo: Homeopathy MADNESS OR MEDICINE, os comentários do Prof. Flavio Dantas de que "as experimentações eram mais fundamentais do que ensaios clínicos na avaliação da Homeopatia", aproveito a oportunidade para expor essa questão muito mal compreendida acerca das experimentações na ciência da Medicina Homeopática.

A partir da perspectiva alopática, as experimentações na homeopatia são absurdas, uma vez que, por exemplo, todos nós ingerimos vários gramas de sal comum todos os dias sem desenvolvermos nenhum sintoma de Natrum muriaticum, como descrito na literatura homeopática.

Da mesma forma, eles afirmam em relação ao quinino, é verdade que nenhum daqueles que tomaram quinino desenvolveram os sintomas da China officinalis ou da China-sulphurica, como descrito na Farmacopeia homeopática por Hahnemann.

Essa crítica superficial é realmente ingênua, pois é óbvio que qualquer um que dobre sua quantidade de ingestão diária de sal começará a ter uma sintomatologia severa após alguns dias de ingestão aumentada e, obviamente, o mesmo é verdadeiro com o quinino ou com qualquer outra substância.

Nas experimentações com potências altas, as coisas são diferentes: os cientistas têm o direito de ser mais céticos. Ninguém acreditará realmente que as potências altas, como a 30C, 200C, 1M ou 10M (1/100 10.000 !!!) possam produzir qualquer sintoma, já que todas essas diluições – tais potências não contêm uma molécula da substância original, pois todas elas estão acima do Número de Avogadro. Esta é uma pergunta legítima, pois o investigador não possui a informação real das instruções fornecidas por Hahnemann acerca das experimentações.

Por outro lado, alguns homeopatas ingênuos da atualidade sustentam que um remédio altamente diluído e potenciado provocará uma série de sintomas na maioria dos experimentadores!! Tal ponto de vista é igualmente errado e não se encontra de acordo com a informação fornecida por Hahnemann em seu Organon da Arte de Curar e, infelizmente, tem prejudicado de forma irremediável a ciência da HOMEOPATIA.

No aforismo 32 do Organon, Hahnemann apresenta instruções precisas quanto à capacidade das substâncias medicinais em produzirem sintomas.

O que ele realmente diz é que para cada pessoa há uma dose suficientemente grande para produzir sintomas em seu organismo, essa dose poderá ser diferente para cada indivíduo. Mas, definitivamente, se você aumentar a dose, qualquer indivíduo será afetado pela substância e o organismo reagirá produzindo alguma sintomatologia. Todos os efeitos colaterais das drogas alopáticas-químicas, são nada além das "experimentações" em um sentido homeopático. Os homeopatas os prescreveriam nos casos em que os pacientes apresentassem doenças semelhantes a tais efeitos colaterais.

Dessa forma, se quisermos descobrir o ponto em que um indivíduo começará a manifestar os sintomas, teremos que seguir um método de investigação preciso.

Portanto, não poderá existir nenhuma dúvida de que se, durante um experimento com uma substância, você aumentar suficientemente e por algum período a dose da substância a ser testada, todo "experimentador" será finalmente afetado e seu organismo reagirá com um conjunto múltiplo de sintomas.

Para estabelecermos a sintomatologia particular que uma substância poderá produzir sobre o organismo humano, deveremos seguir certas regras *.

1. Em um grupo de 50 experimentadores, comece a administrar a substância em 1 dose subtóxica (todas as substâncias podem ser concentradas em seu estado de tintura-mãe, tornando-se tóxica) observando de perto o efeito sobre os experimentadores. Vamos supor que o remédio Bryonia esteja sob análise. Inicia-se com a administração de 30 gotas da tintura mãe para cada experimentador.

Alguns deles poderão começar a apresentar sintomas - reações, mesmo após o primeiro dia. Tais experimentadores deverão suspender a ingestão do remédio. Alguns outros experimentadores começarão a ter sintomas após o segundo, terceiro, quarto ou quinto dia e assim por diante até que todos os experimentadores apresentem alguns sintomas no final do experimento (um mês, no qual a dose foi aumentada por repetições mais frequentes dia após dia).

2. Aqueles que começaram a manifestar sintomas no primeiro, segundo ou terceiro dia, obviamente são os mais sensíveis à substância que se encontra sob experimentação e apenas os indivíduos sensíveis deverão participar do segundo passo de uma experimentação com as potências altas deste remédio. Apenas assim, alguns desses experimentadores sensíveis desenvolverão sintomas a partir de uma repetição de tais potências altas.

E também, sabemos ser verdadeiro por um outro ângulo: o da prática cotidiana da homeopatia.

Se um profissional administrar o remédio errado (não o que seja realmente indicado) em uma potência alta para um paciente, na maioria dos casos não haverá nenhum efeito, o paciente voltará após um mês e dirá que continua o mesmo, sem qualquer mudança em sua condição e sem sintomas novos, o que significa que a potência alta não teve efeito sobre ele. Mas, de vez em quando, será possível deparar-se com um indivíduo sensível ao remédio, que desenvolverá alguns sintomas (do remédio errado), sabendo ser pertencentes à sintomatologia do remédio.

É a opinião do autor que, a menos que tais tipos de experimentações sejam conduzidos, a questão das experimentações, especialmente com as potências altas, permanecerá para sempre em uma sombra de dúvida e homeopatia ficará à margem. *

É fácil entender que, nesta curta exposição, não é possível que todas as regras e todos os parâmetros sejam apresentados para tal experimentação, mas eu tentei expor as características essenciais de tais experimentações homeopáticas para dissipar as críticas ingênuas por parte dos médicos alopatas e afirmações ingênuas por parte de alguns homeopatas.

Artigo original em inglês:
https://www.vithoulkas.com/writings/articles/question-provings-homeopathy

Avaliação do Usuário

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G Vithoulkas1* 1 International Academy for Classical Homeopathy, Alonissos 37005, Greece

  Na doença crônica, muitas vezes são necessários vários medicamentos para completar a cura. Estes deverão seguir uma sequência correta para ter um ótimo efeito. Administrar o segundo ou o terceiro medicamento indicado primeiro poderá resultar em melhoria temporária, mas sem iniciar o processo da cura.
O caso a seguir exemplifica essa regra. Homeopatia (2002) 91, 40-42. 

Apresentação inicial

Abril de 1989, um menino de 18 meses foi apresentado, sofrendo de eczema severo e má absorção que, segundo o pediatra da criança, o quadro ocorria devido à doença celíaca. A criança se encontrava sob dieta sem glúten. 

Histórico

Durante a gravidez, sua mãe teve muitos problemas físicos e psicológicos. O cordão umbilical estava enrolado em torno do pescoço da criança no nascimento. Seu crescimento foi significativamente retardado. Ele ficava resfriado muito facilmente. A criança recebeu as imunizações DPT e, mais tarde, BCG e subsequentemente desenvolveu eczema. Existe um histórico familiar de tuberculose.

Sintomas

Mal absorção. A criança não tolerava o glúten de qualquer forma. Ele cuspia o pão e sempre apresentava fezes não digeridas. A criança estava sob uma dieta sem glúten, mas de vez em quando, os pais o davam um pedaço de pão para ver se a reação ao glúten persistia. A criança sempre cuspia o pão. O sintoma óbvio é a aversão ao pão. Mas batatas ou qualquer alimento que contivessem glúten também causavam fezes não digeridas e diarreia.

Dermatite

Erupções generalizadas, exceto na área do períneo. A erupção é muito pruriginosa, e ele se coça até sangrar. Coceira < ao despir (3 +), < ao ficar aquecido na cama (2 +). A descarga das erupções é pegajosa e como mel.

Generalidades

Ele é muito apegado à mãe, sempre miserável, nada parece animá-lo, chora muito. Ele deseja bananas e batatas (2+), e tem aversão ao pão e a maçã. Ele se sente melhor à beira-mar, com melhoria da pele. Suas mãos e pés estão sempre frios. Ele dorme sobre o abdômen. Nevoeiro, umidade e ar frio agravam a sua condição. Ele range os dentes (3+). 

Tratamento homeopático anterior

Natrum muriaticum 1 M. Depois disso, ele dormiu melhor, seu humor melhorou e ele pareceu feliz por um tempo, mas depois estagnou. Pulsatilla 1M causou melhora apenas por uma semana. Dulcamara LM6 e LM30, em doses repetidas, ajudou apenas por alguns dias. Entre Pulsatilla e Dulcamara, ele também recebeu uma dose de Calcarea carbonica em baixa potência, sem resultado.

Análise e prescrição

Graphites era uma possibilidade, por causa da descarga como mel na pele. Mas para as erupções cutâneas de Graphites, a localização principal seria nas dobras das articulações e atrás das orelhas. As crianças, especialmente, apresentam rachaduras atrás das orelhas. Medorrhinum poderia ser considerado por causa da > à beira-mar e pela criança dormir sobre o abdômen. Mas para Medorrhinum, as erupções seriam exatamente nos lugares em que ele não apresenta erupções, na área do períneo. Tuberculinum foi prescrito, a prescrição foi baseada nos seguintes sintomas: rangimento dos dentes; histórico familiar de tuberculose; doenças desde a imunização contra a tuberculose; criança difícil e insatisfeita, desejo de batatas e bananas. Como a BCG foi a última imunização e pareceu precipitar o eczema e a síndrome de má absorção, mais provavelmente o Tuberculinum, deveria ter sido administrado como primeira prescrição.

Prognóstico

Todos os medicamentos homeopáticos prescritos no passado ou não tiveram efeito ou proporcionaram apenas uma melhora imediata. Em tal patologia severa, o medicamento correto deverá causar uma agravação inicial. O problema em tais casos, especialmente em crianças, é que poderá ocorrer uma agravação severa após o remédio correto. Portanto, uma dose única de Tuberculinum bovinum 30c foi prescrita, esperando-se uma agravação. Seria irreal esperar que este caso pudesse ser resolvido por um único medicamento. Eu esperava ver o surgimento de outra imagem. 

Primeiro Acompanhamento 19 de julho de 1989 (15 semanas após a prescrição inicial)

Após Tuberculinum, houve uma agravação severa da pele, com duração até o momento presente. Era óbvio que a erupção de pele se agravaria muito; a criança se coçou durante toda a consulta. No entanto, o seu comportamento, o sono, a tendência para contrair resfriados e o rangimento dos dentes estavam melhores. Ele ainda apresentava aversão ao pão. A criança ainda se coçava até sangrar, ele estava sem sede e desejava comida fria. Testes alérgicos repetidos confirmaram que a criança era alérgica ao trigo. Esses casos possuem "camadas" e o objetivo será a percepção da camada mais superior. Uma vez que esta camada tenha sido removida, a próxima camada aparecerá e indicará mais claramente o próximo medicamento. A sintomatologia, agora apontava claramente para Pulsatilla (ver Figura 1). A Pulsatilla já havia sido administrada antes do Tuberculinum, apenas com efeito temporário. Poderíamos confiar agora que a Pulsatilla agiria? Uma dose única de Pulsatilla 30c foi prescrita. Dois dias depois, o médico que o atendia ligou para a mãe para perguntar sobre a coceira, que incomodava tanto a criança durante a segunda entrevista. A mãe disse que a coceira havia desaparecido quase totalmente após Pulsatilla.

Segundo Acompanhamento 26 de março de 1990 (1 ano após a consulta inicial)

A erupção desapareceu logo após a Pulsatilla. Não houve nenhuma coceira. Agora, a criança podia comer pão. 



Figura 1
Repertorização com o software RADAR no momento da consulta inicial. (A) Sintomas utilizados para repertorização. Esta repertorização e o Vithoulkas Expert System (B) exibiram o Tuberculinum como o medicamento mais indicado. Note que o Pulsatilla veio em segundo, indicando que poderia ser o próximo remédio. Uma repertorização "plana" (isto é, sem a ponderação dos sintomas) indica Pulsatilla (C).

Discussão

Nas condições crônicas graves, mais de um medicamento são necessários para completar a cura, mas esses remédios deverão ser prescritos na sequência correta. Prescrever remédios diferentes de maneira aleatória, mesmo que os corretos estejam incluídos, não resultará em uma cura real. Esta regra se aplica quase invariavelmente para as condições crônicas. O princípio orientador nesses casos é que o primeiro remédio deverá representar as características/a totalidade presente(s) mais intensamente no momento. Onde houver um fator causal claro que também esteja relacionado com outras características do caso, isso influenciará fortemente a escolha. Após este tratamento, a criança começou a desenvolver doenças agudas que responderam ao Kali-s, um medicamento complementar à Pulsatilla.


*Correspondência: G Vithoulkas, International Academy for Classical Homeopathy, Alonissos 37005, Greece. E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

 

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Entrevista com George Vithoulkas por Dimitris Konstantakopoulos, da Agência de Notícias de Atenas - Agência de Imprensa Macedônia (ANA-MPA)

Livro: A Nova Dimensão na Medicina de GV - editora Patakis Publicações

O desenvolvimento acelerado da Medicina no século XX, devido à implementação em larga escala de avanços na Química, Biologia e tecnologias aplicadas (eletrônica, tecnologia laser, etc.), parecia um milagre capaz de enfrentar alguns dos problemas mais dolorosos da história da humanidade.

Desde as "Décadas de desconfiança" (1960-80), houve vozes de protesto que questionavam a "estratégia" da Medicina tradicional – a qual suprime os sintomas e sem curar as suas causas. Tais vozes apontavam os sérios efeitos colaterais dos tratamentos e, especialmente, aqueles realizados com medicamentos químicos, maciçamente introduzidos na prática clínica após a Segunda Guerra Mundial.

Desde então, tem havido interesse crescente nos chamados métodos alternativos de tratamento, que tem avançado progressivamente apesar das objeções da Medicina convencional. Nestes se inclui a homeopatia, abordagem que prevaleceu em grande parte do mundo ocidental e durante o século 19 antes de desaparecer na obscuridade no século 20.

Foi George Vithoulkas, grego e Professor emérito da Universidade do Egeu e das Academias Médicas de Moscou e Kiev, Doutor Honoris Causa de várias Escolas Médicas, que promoveu o renascimento do conhecimento homeopático e o disseminou pelo globo, ainda que de modo incipiente. Ainda assim, trata-se de uma tendência importante no campo da medicina, que deve ser reconhecida e reintegrada da forma adequada, priorizando a individualização do tratamento. Ele foi homenageado com o "Prêmio Nobel Alternativo" (Right Livelihood Award) pela contribuição no restabelecimento da Homeopatia. George Vithoulkas fundou a International Academy of Classical Homeopathy na ilha de Alonissos e a Grécia tornou-se referência mundial nesta seara.

Na republicação do seu livro “A Nova Dimensão na Medicina”, editora Patakis Publicações, George Vithoulkas gentilmente concedeu entrevista ao Dimitris Konstantakopoulos, da Agência de Notícias de Atenas - Agência de Imprensa Macedônia (ANA-MPA)

- Sr. Vithoulkas, em seu livro você diz que a medicina convencional falhou na sua missão de prevenir ou curar as doenças crônicas e a situou como a principal responsável pela degeneração da saúde das pessoas. Por que você faz essas afirmações? Os defensores da Medicina convencional aduzem que eles tenham feito milagres, pois aumentaram consideravelmente a expectativa de vida.

Seria preciso uma obra extensa para responder tal pergunta, mas este pequeno livro que eu escrevi poderá dar algumas dicas.

O que quero dizer é que a Medicina convencional falhou na sua abordagem terapêutica. Ela tem feito grandes progressos na cirurgia e no campo da evolução tecnológica, mas tomou o caminho errado no que se refere à terapêutica, a qual está em uso e, muitas vezes, o abuso de medicamentos químicos e hormônios a fim de combater as condições especialmente crônicas.

É verdade que a Medicina convencional propiciou o aumento da expectativa de vida humana mas, ao mesmo tempo, degradou o estado geral de saúde e a qualidade de vida da população.

- O que você quer dizer com isso?  

O que sabemos agora é que as doenças crônicas graves podem ser suprimidas, mas não curadas. A supressão dos sintomas força o aprofundamento do processo da doença no organismo, ou seja, no nível emocional e no mental.

- Por favor, dê-nos um exemplo.  

Uma pessoa que recebe um tratamento supressivo para qualquer condição crônica corre o risco de manifestar distúrbios mentais e emocionais, tais como irritabilidade extrema, estresse, depressão, distúrbios sexuais, que inicialmente não parecem interferir na vida social e profissional da pessoa, mas, ao longo do tempo, a doença se concentra cada vez mais sobre os níveis mentais e emocionais e, quase tortuosamente e maliciosamente, mina a saúde geral da pessoa. Nas últimas décadas, estes efeitos têm surgido no mundo ocidental e a população vem sofrendo quase em sua totalidade de desvios e desordens mentais.

- Qual é a sua resposta aos que afirmam que a homeopatia e os "tratamentos alternativos" em geral, são uma forma arriscada de charlatanismo? Quais abordagens alternativas, que não seja a homeopatia, você abraça e quais você repudia ou não considera eficazes?

Tais simplificações são superficiais, “throwing the baby out with the bathwater” * para a criação de impressões. Hoje, existem centenas de "propostas terapêuticas" que não realizam nada, mas, ao mesmo tempo, enganam os ocidentais que sejam mentalmente fracos e sem instrução. Esta mentalidade única, agregando todas estas "opções" aliadas juntamente com certas formas alternativas sérias de tratamento, como a homeopatia, a acupuntura, a osteopatia, a quiropraxia, a dietética, higiene física, que são todas abordagens terapêuticas testadas e estabelecidas cientificamente, geram confusão de que sejam úteis a todas as pessoas, exceto aos pobres pacientes que se perdem neste labirinto de opções. Certamente, conforme o meu entendimento pessoal, cada um desses poucos sistemas terapêuticos mencionei, apresentam resultados em determinadas condições e em certas circunstâncias. A minha área de especialização é a homeopatia, a qual eu considero a opção terapêutica mais organizada e eficaz e que, provavelmente, cobre a maior gama de condições de saúde. No entanto, não devemos dar a impressão de que a homeopatia pode curar tudo ou que a sua prática é fácil.

- Você permanece absolutamente crítico à utilização de antibióticos, penicilina, cortisona, entre outros. No entanto, não são estes os medicamentos milagrosos, os meios necessários para tratar a infecção? O que seria de nós sem eles?

É verdade que muitas vezes estes medicamentos possam salvar as vidas das pessoas com infecções graves, mas isso não significa necessariamente que estes doentes não sofrerão os efeitos colaterais desses medicamentos, os quais poderão afetá-los pelo resto de suas vidas. Na doença crônica, no entanto, as coisas são muito piores. Quando alguém desenvolve uma doença crônica grave, o conselho do médico é que o paciente deverá aceitar que ele lidará com esta condição pelo resto da sua vida, com a ajuda de medicamentos que quase nunca curam, mas oferecem apenas o efeito paliativo.

É em certos casos assim que a homeopatia pode intervir e restaurar o equilíbrio perdido do corpo de modo que a pessoa não dependa de medicamentos químicos.

- Você não é o único que apresenta críticas para as bases dos sistemas de saúde e a forma como são organizados. No entanto, apesar da promoção de ideias como as suas, as coisas não mudaram o suficiente. A que você atribui isso?

Há um sistema de saúde global estabelecido pela Medicina padronizada que não pode entrar em colapso de um dia para o outro. Este sistema certamente sucumbirá um dia, uma vez que não está baseado em uma prática humana da Medicina que incida sobre a saúde das pessoas. Os interesses das indústrias farmacêuticas, as ambições dos cientistas da área médica, bem como a concorrência entre eles, o desejo por dinheiro e glória são tão fortes que a verdadeira preocupação pela medicina humana é secundária. Estamos falando sobre o caso do sistema de saúde estabelecido como um todo, mas não devemos, é claro, desprezar que os médicos, especialmente aqueles que trabalham em hospitais, que estejam lutando com auto sacrifício para ajudarem diariamente os seus pacientes.

- Em seu livro, você descreve o extremo egoísmo como um incentivo para a doença. Esta posição parece estar em contraste direto com a ideia estabelecida prevalecente na sociedade. Você está indo longe demais?

Este ponto de vista é o resultado da minha experiência no tratamento de milhares de pacientes. Enquanto tomava seus históricos clínicos, descobri o papel desempenhado pelo egoísmo na geração de doenças. Por exemplo, uma pessoa egoísta é afetada muito mais facilmente e muito mais gravemente do que uma pessoa modesta e humilde. Alguém que pensa que sabe tudo, torna-se em algum momento objeto de escárnio de outras pessoas, será profundamente magoado e assim, a dor será profunda e forte. O estresse de um insulto será enorme para uma pessoa egoísta, e há uma forte probabilidade nestes casos, o desenvolvimento de uma doença crônica à qual a pessoa está predisposta. Naturalmente, não só egoísmo que pode desencadear doenças crônicas inerentes, mas ainda assim constitui um fator importante. Eu diria certamente que, na medida certa, um "orgulho" saudável poderá ser útil, quando ele ajuda a manter a dignidade de uma pessoa. 

- Na sua opinião, qual é a relação entre a autoridade moral do ser humano, estado mental / espiritual e a saúde física?

Quanto mais “pé no chão”, modesto, e amável alguém for, menos risco corre para tornar-se doente devido ao estresse das injustiças, malícia e insultos dirigidos a ele. Uma pessoa que aprendeu a perdoar, mesmo quando descaradamente injustiçada, protege-se de desencadear a predisposição inerente do seu corpo à doença crônica, a qual a pessoa poderá desenvolver a qualquer momento, mas especialmente se o sistema imunológico for agravado por fortes emoções negativas.

- Como você explica as pessoas que geralmente não são consideradas pela sociedade por terem uma integridade moral particular, como muitos políticos. Pelo menos se nós acreditássemos nas pesquisas de opinião e o que tem sido dito sobre eles, contanto que parecem ter uma notável capacidade de sobrevivência? Em última análise, quem sobrevive melhor, o bem ou o mal?  

Esta é uma questão muito interessante que tem sido uma preocupação especial para mim também. Me parece que a batalha pelo poder exige que as pessoas devem ser muito fortes, muito saudáveis por natureza, desde o nascimento. Estamos habituados a ver este tipo de pessoas nas famílias políticas chamadas de "solidamente construídas”, onde o pai sucede financeira e socialmente pelo seu próprio mérito, mas depois de chegar ao poder, ele deseja mantê-lo indefinidamente, garantindo a autoridade e riqueza para todos da sua futura prole.

Uma vez que ele se agarra ao poder e almeja a permanência eterna, não só para si mas também para a sua descendência, a luta interna começa com a sua consciência até que ele consegue, finalmente, suprimir a voz da consciência para que ela pare de incomodá-lo. A partir daí, inicia-se um declínio sutil do corpo. Inicialmente, isso será manifestado com estresse, fobias, ataques de pânico e, posteriormente, terminará também em patologia física. Enquanto um político é conduzido pelo idealismo para salvar seu país, eles são salvos na saúde para evoluírem-se como personalidades. Quanto mais um político é liderado pelo auto interesse, menos apelo ao público, mais profundamente eles despencam pela primeira vez em sua carreira política e, e em seguida, em um nível físico e mental. Portanto, os políticos que nasceram com o privilégio de terem a melhor saúde possível, acabam mal e corruptos, à mercê de uma sociedade degenerada, para a qual eles contribuíram na sua criação. Estamos, é claro, falando sobre os políticos que exerceram o poder. Os que se desviaram do sistema em questão, como Ioannis Kapodistrias ou Nikolaos Plastiras, ou foram assassinados ou ostracismo.

- A pessoa normal doente é bombardeada com um conjunto de informações e propagandas, direta ou indiretamente, bem como as chamadas controversas e diferentes, tanto pela mídia quanto pelos médicos. Na sua opinião, o que uma pessoa deve fazer para orientar-se nesse ambiente, onde a confusão prevalece?  

Uma pessoa que permanece imparcial, que não se deixa enganar pela publicidade glamorosa, que não esteja atrás de ganhar dinheiro fácil e ter rápido avanço social, essa pessoa será capaz de julgar e avaliar adequadamente os fenômenos do nosso tempo e ela conseguirá manter-se saudável e tomar as decisões certas. Nossos avós eram essas pessoas. Um exemplo de uma pessoa profundamente saudável e criteriosa é um membro da Academia de Atenas, Konstantinos Despotopoulos, um homem extraordinário que está bem no seu 1030 ano de vida, bem como alguns de seus velhos amigos. Ele menciona em suas entrevistas que (nota: a entrevista com o Sr. Vithoulkas ocorreu antes da morte de Kon Despotopoulos) todos os gregos modernos deverão ouvir as suas entrevistas, se eles quiserem ter conhecimento do verdadeiro tipo de uma pessoa saudável... Pessoas de seu calibre estão se tornando cada vez mais raras, enquanto os outros, a maioria, será cada vez mais afetada em sua saúde por uma cultura sempre em degeneração, que confunde e degrada os seres humanos. 

- Como você avalia a situação atual e a crise no sistema de saúde grego? O que deveria ser feito? Como poderia homeopatia e as outras “abordagens ajudarem nesta crise?

Como você poderia esperar para ter um sistema de saúde saudável em um país que é tão doente e desgastado como a Grécia? A menos que a paisagem política mude drasticamente, não haverá qualquer solução verdadeira para o sistema de saúde.

Neste momento, todo o sistema é empurrado para uma privatização global da saúde e somente aqueles que tiverem os meios para custearem, encontrarão médicos e medicamentos. Quanto ao resto...

A situação mundial atual do comportamento absolutamente desumano, crueldade e barbárie anuncia a direção em que as coisas são conduzidas por aqueles que dirigem a evolução em todo o mundo. Definitivamente, eles não estão interessados em construir bons sistemas de saúde, uma vez que eles próprios sempre serão capazes de encontrar os melhores médicos e os melhores medicamentos. O restante se manterá questionando sobre a mesma pergunta essencial: quando essa sociedade se tornará verdadeiramente humana?

- Diga algumas palavras sobre o seu livro.  

Este livro levanta mais dúvidas do que fornece respostas para as principais questões relacionadas à saúde. Respostas adequadas e abrangentes surgirão um dia, quando todos nós tivermos percebido que a felicidade e a saúde não são encontradas no dinheiro ou no poder, mas sim no nosso interesse e no amor pelos nossos semelhantes. 

 

*Expressão idiomática que significa rejeitar as coisas úteis juntamente com as inúteis.

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Quem somos

Prestar serviços que garantam às pessoas adquirirem conhecimentos sobre a arte da homeopatia clássica e assim poderem usufruir de seus benefícios, tornando-os capacitados a ajudar a um maior número de seres vivos a serem mais saudáveis e vivendo em harmonia.